sábado, fevereiro 21, 2009

PORTUGAL. MANUAL DO UTILIZADOR #1

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Portugal é um país magnífico, só que às vezes é preciso conhecer alguns truques para se fruir devidamente de tudo o que ele tem para nos oferecer. Esta série hoje aqui iniciada tem como objectivo tornar mais inteligível uma certa lógica que por vezes nos escapa. Vale a pena tentar.

Objectos perdidos (ou roubados e depois "perdidos" pelos gatunos) têm sítio próprio onde os seus legítimos proprietários se podem dirigir e onde, com alguma sorte, os poderão recuperar. Na esperança de recuperar uma carteira desaparecida, dirigir-me,portanto, a essa seccção de Achados que, segundo informação de um taxista prático nestas lides, fica na PSP dos Olivais. "É só seguir as placas, está lá indicado".
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Chegada, portanto, aos Olivais e deparando-me com uma placa a indicar PSP, avancei, confiante. Volta à esquerda, nova placa, volta outra vez e lá está. PSP: uma fachada discreta mas bonitinha, com azulejos a recordar serviços públicos do meio do século passado, logotipo de PSP em azul e dourado, portinha pintada de verde. Aproximei-me. Porta fechada. "Atendimento ao Público: desça a escadinha de ferro à sua direita, atravesse a praceta, desça as escadas de pedra, contorne o muro e dirija-se à recepção" (não serão as palavras exactas, mas a informação é essa). Estacionámos o carro num lugar não excessivamente legal, sob o olhar desconfiado de um agente e lá descemos os dois lances da escada de ferro. Chegados à praceta, deparámos com uma igreja adventista (creio), umas portas largas sem identificação, mas nada que nos anunciasse a PSP. Faltava, contudo, descer os três lances da escada de pedra e então, sim, uma vasta área de estacionamento ocupada por carrinhas azuis indicou-nos que estavamos no bom caminho. Efectivamente faltava mais uma rampazinha e lá estava a recepção. "É aqui os Achados?" Não, não era, afinal devíamos ter seguido as placas que diziam PSP Achados e não as que diziam PSP apenas. "É já ali. Contornam a praceta, voltam à esquerda, de novo à esquerda e é uma casinha baixa com um toldo azul. Mas olhe que fecham ao meio dia e meia!" O relógio marcava 12 horas e 23 minutos. Não parecia tarefa impossível. Bastava subir a rampazinha, galgar os três lances da escada de pedra, atravessar a praceta, subir os dois lances da escada de ferro, recuperar a viatura (mal) estacionada, descer, seguir as placas "PSP Achados" e alcançar o toldo azul, em sete minutos. Eram exactamente doze horas e trinta minutos quando estacionámos em frente da porta, aberta, no exterior da qual três homens conversavam. Olharam para nós, viram-nos sair do carro e um deles abandonou apressadamente os companheiros e dirigiu-se para o interior, fechando rapidamente a porta. Uf! por pouco! "Fecha ao meio dia e meia, para almoço." Fiz menção de me dirigir ainda à entrada, embora com poucas esperanças: "Mas... era só..." "Agora só à uma e meia. É a hora de almoço."

Está certo. Meio dia e meia é meio dia e meia, não é meio dia e trinta e um. Uma hora para almoçar. Não se pode dizer que dê para um lauto banquete, é um facto. A carteira? Não faço ideia. Talvez afinal fazer uma segunda via dos documentos não seja assim tão complicado quanto parece!
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1 comentário:

Helder Magalhaes disse...

Depois da saga hospitalar (que incluía um assentozinho com sopa) e da saga das finanças, só lhe faltava mesmo a saga policial!

Cá esperamos por mais lições.

Beijinhos, do
Helder