Sábado, Julho 18, 2009

TURISMO DE LISBOA E VALE DO TEJO REDUZ SUBSÍDIO AO FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA EM 85%

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O Festival de Teatro de Almada divulgou esta informação que aqui reproduzo, solidarizando-me assim com uma das mais importantes manifestações culturais que se realizam em Portugal.

A Região de Turismo de Setúbal – Costa Azul passou, recentemente, a integrar o Turismo – Lisboa e Vale do Tejo. A transformação operada revelou-se fatal para o Festival de Almada: por carta recebida ontem informam-nos que o subsídio tradicionalmente concedido ao Festival sofreu, este ano, uma redução de 85 por cento, isto é, passou de 32.500 euros, em 2008, para 5.000 euros este ano.

Quem assina a carta é o vice-presidente da Direcção da T-LVT (em regime de substituição do presidente da Direcção), Eufrázio Filipe Garcez José, o mesmo que era o presidente da anterior Região de Turismo de Setúbal, e que atribuiu ao Festival, em 1999, 8.000 euros, passando para 9.000 em 2000; para 22.446 em 2002; para 30.446 em 2003; para 30.500 em 2004; e para 32.500 em 2006. Esta verba manteve-se durante 4 anos, até 2008.

Na carta que nos foi enviada afirma-se:
«Dedicámos a devida atenção às informações que nos foram prestadas e salientamos o valor, o conceito e a dimensão do Festival de Almada.
A Turismo de Lisboa e Vale do Tejo decidiu apoiar o Festival de Almada com uma participação financeira de € 5.000,00.»

E acrescenta-se:
«Considerando ainda a nossa vocação de instituição com particulares responsabilidades na promoção turística do destino Lisboa e Vale do Tejo, sugerimos e deixamos à consideração da Organização do Festival de Cinema (sic), ainda no decorrer desta edição ou em futuras, complementar esta comparticipação com um conjunto de apoios, tão ou mais importantes do que os exclusivamente financeiros, nomeadamente nos domínios da promoção do evento, da informação turística associada a quem participa no evento (autores, artistas e espectadores), do acompanhamento de jornalistas à região e da relação do evento com a actividade turística regional.»

O Festival de Teatro de Almada divulgou ontem mesmo, na sua folha informativa diária, um comunicado onde se afirma: «Na edição deste ano», a três dias do fim do Festival.? O texto exemplifica o que se vai tornando habitual por parte da burocracia acéfala que se instalou: má gramática, mau português, palavreado que nada quer dizer e imperial ausência de qualquer justificação para a alteração drástica de uma prática de apoio financeiro de aumento sustentado que durava há uma década. A «devida atenção dada às informações» traduz-se na denominação do Festival como Festival de Cinema!... E, tal como é de uso nas farsas com princípio, meio e fim, o Exmº vice-presidente digna-se, no fecho, expressar «os votos de sucesso ao Festival de Cinema de Almada»!...A atitude da T-LVT para com o Festival de Almada é insultuosa. O Festival de Almada é, reconhecidamente, um dos maiores acontecimentos culturais do País, e é respeitado no estrangeiro como uma manifestação cultural de referência internacional. Prestigia o País, a cidade de Almada e a Região de Setúbal. Merece, pelo menos, a delicadeza de uma justificação.

A carta da T-LVT é uma demonstração burocrática de arrogância, incompetência e ignorância, e uma desconsideração feita a todos (artistas e espectadores) que fazem o Festival de Almada. E é uma pouco disfarçada agressão à Câmara Municipal de Almada, cuja política cultural é apreciada por todos os municípios de Lisboa e Vale do Tejo e apresentada em todo o País como um exemplo.Vamos receber os 5.000 euros porque temos um orçamento diminuto e precisamos de todos os apoios. Mas não podemos deixar de tornar público o nosso protesto e a nossa indignação.»
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Terça-feira, Julho 14, 2009

UM PARDAL NAS PORTAS DE SANTO ANTÃO

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Vi no Porto e gostei. Vou ver outra vez em Lisboa e já sei que vou gostar. A magia do "pardal de Montmartre" é imortal. E agora vai encher de ecos nostálgicos o teatro das Portas de Santo Antão, pela mão de La Féria, pois claro!
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Quinta-feira, Julho 02, 2009

NOVO VISUAL

(foto cabeçalho APC
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Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!

E eu acreditava.

Acreditava,

porque ao teu lado

todas as coisas eram possíveis.



Mas isso era no tempo dos segredos.

Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.

Era no tempo em que os meus olhos

eram os tais peixes verdes.

Hoje são apenas os meus olhos.

É pouco, mas é verdade:

uns olhos como todos os outros.



Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor...,

já não se passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,

tenho a certeza

de que todas as coisas estremeciam

só de murmurar o teu nome

no silêncio do meu coração.



Não temos já nada para dar.

Dentro de ti

não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.

E já te disse: as palavras estão gastas.



Adeus



Eugénio de Andrade

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Segunda-feira, Junho 29, 2009

OBRIGADA!

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Veio do http://arion-reloaded.blogspot.com/ a quem agradeço a generosidade.
Citando o próprio "selo de garantia", informo: “O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores." Só posso mesmo agradecer e fazer por o merecer.
Passo então a distinção, como é das regras, a:
Lauro António Apresenta...
Não há nada como o Realmente
Cinema Helder Magalhães
Guia dos Teatros
Caderno de Campo
Branco e Azul
Infinito Pessoal
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Quinta-feira, Junho 25, 2009

O PORTO É LINDO!



Uma frase que se ouve frequentemente aos lisboetas é "Eu gosto do Porto. Gosto imenso do Porto." Mas, vá lá saber-se porquê, soa sempre um bocado a justificação implícita... "desculpem lá, mas a verdade é que eu até gosto...". E, no entanto, creio que a grande maioria é sincera. E não precisava do tom de justificação. Eu gosto do Porto. Também gosto de Paris, de Nova Iorque, do Rio e de São Paulo. Gosto muito de Goiás (que saudades!) e gosto de Barcelona, de Aix-en-Provence, de Sevilha e de sei lá quantos sítios mais. Gosto do Porto sem complexos e sem me justificar. Dizem "as pessoas são mais genuínas, mais autênticas; come-se melhor". Eu sei lá! Gosto do Porto porque me sinto bem no Porto. E pronto.

Agora uma experiência por que eu nunca passara era o São João no Porto! E desta vez, lá aconteceu.
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No início, tudo parece pacífico e normal. Promete festa, claro, mas sem glamour aparente. Nos Aliados monta-se uma enorme parafernália que irá acolher o(s) concerto(s). Pelas ruas montam-se as vendas de comida, bebida, alho porro e martelinhos. As roulotes das farturas ensaiam os acordes roufenhos do Quim Barreiros. E está calor, um calor um bocado abafado que, segundo me explicam, anuncia as "orvalhadas do São João". Eu não sabia, mas São João sem orvalhadas, não é São João. Não há brilho de sol nem azul de céu para fazer saltar os reflexos de prata das sardinhas. Mas por baixo de tudo isto, germina a noite de São João. Adivinha-se, rente ao chão, a agitação que começa a fermentar. A tarde vai avançando e o sol rompeu, o ar agita-se com uma brisa afável e a respiração da cidade começa a sentir-se mais agitada, num frémito de antecipação.
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Os barcos parecem cavalos impacientes à espera de entrar na arena, resfolegam um pouco e lançam de quando em quando um aviso sonoro, raspando as águas tranquilas do cais.
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É já passando debaixo das 4 pontes que vemos o sol desaparecer e a noite soltar-se em milhares de luzes, em cores, em sons de festa, em música. De um lado e do outro do rio são aos milhares as pessoas que acenam e aos milhões os martelinhos que fustigam o ar com gestos de marionetas. Cheira a mangerico e a sardinha assada. É Junho em Portugal. Os risos são despreocupados e abertos, os cumprimentos desinibidos e risonhos, o sotaque do Norte contagia-nos com a sua abertura e franqueza.
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E depois chega a meia noite. E o céu explode em fogo de estrelas, cascatas, flores de luz que se abrem, vermelho, verde, azul, dourado, branco. A explosão parece não ter fim, ensurdece-nos o estrondo dos morteiros. Todos os olhos estão voltados para o céu, em festa, crianças de novo, por uns momentos, num deslumbramento que por muitas vezes que se repita nos põe sempre a alma em festa. As máquinas fotográficas disparam feitas loucas, sem conseguirem captar o momento mágico, demasiado efémero, mas aproximando-se muito. Os telemóveis, de mais ou menos moderna geração, andam numa roda viva ansiosa. "Ali, olha ali!". "Estás todo desenquadrado... dá cá... assim, com o fogo atrás!". "Apanhaste aquela grande, vermelha?". "Vê-se alguma coisa?". E por todo o lado, como se nos fosse devorar, a explosão de luz e cor.


De repente, os últimos morteiros anunciam o fim.

Continua a música, os martelinhos não têm descanso. Arrefeceu quando o fogo se calou. Há quem se retire para o interior do barco: um casal num banco lá ao fundo que nem deu pelo fogo (pelo menos pelo de artifício); as crianças que recolhem às mão-cheias martelinhos abandonados; a senhora que zela pelos mangericos de quadras caprichadas. Os milhares de silhuetas ao longo dos cais recortam-se em danças endemoinhadas, contra a luz de fogueiras imaginadas. O Santo só pode estar feliz, com "os seus caracóis loiros e o cordeirinho ao pé".
Atracamos ao cais. O Porto vibra de São João em cada milímetro quadrado.
Gosto do Porto.
(As fotos são minhas e do Lauro António. Difícil dizer quais as de quem, mas tudo bem.)
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Sábado, Junho 20, 2009

SÃO JOÃO, SÃO JOÃO, DÁ CÁ UM BALÃO PARA EU BRINCAR

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Foto: Blog de João Quintino: http://www.sabugibyjq.zip.net/
Com os devidos agradecimentos, uma imagem que acabei de roubar e que, creio, vem do Brasil. Mas fica a promessa de uma alegria mais portuense para breve! Vivó Porto, carago!
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Sábado, Junho 13, 2009

A MARCHA É LINDA!!!

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Vem daí menina
Tua marcha é esta
Num balão aceso
Lisboa é uma festa
Vem daí rapaz
Não marches à toa
E traz um amigo
Que queira contigo
Abraçar Lisboa
Letra: José Reza / Joaquim Isqueiro
Música: José Reza