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quarta-feira, julho 09, 2008

TRABALHO E EMPREGO

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Durante uma grande parte da minha vida tive empregos. Não muitos, que nesse tempo os empregos mantinham-se durante longos anos, mas alguns. Tive o enorme privilégio de fazer o que gostava, com pessoas de quem gostava. O que teve como consequência que o trabalho fosse efectivamente um prazer. Uns dias mais prazer do que outros mas, generalizando, um prazer.
Agora não tenho emprego, mas continuo a ter trabalho. E ter trabalho sem emprego é uma coisa muito cansativa. Fazem falta algumas das coisas maravilhosas dos empregos, nomeadamente: o fim de semana, a sexta-feira (que no Brasil é uma instituição muito mais saudada do que cá), as 18 horas, o patrão (sempre útil), a pausa para o café, a hora de almoço, os colegas.
Por outro lado, há que ter em conta as vantagens de não ter emprego: ter fim de semana quando se quer, não ter segundas-feiras, não ter patrão, não ser obrigado a tomar café para fazer uma pausa. A questão mais profunda põe-se quando se avalia o volume de trabalho. No emprego, quando o volume de trabalho é excessivo, diz-se que não dá e que é preciso arranjar mais uma pessoa. Quando não se tem emprego, vai-se somando trabalho atrás de trabalho, sem consciência do monte que cresce ao lado do computador. Então lá vem o dia em que é indispensável pôr a escrita (literalmente) em dia e, após umas semanas de loucura, entra-se numa sexta-feira que leva a um fim de semana sem fim. Até à próxima segunda-feira que se instala para ficar.

Estou de fim de semana! O Clive Owen não tem nada a ver com o assunto, mas faz parte de qualquer fim de semana digno desse nome.
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