sexta-feira, julho 08, 2011

300 KM

No Alfa ou no Intercidades, é um instantinho, com todo o conforto e eficácia.
No Porto, no Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Lauro António apresenta "Invicta Filmes", ciclos de cinema clássico.
Toda a informação em invictafilmes.blogspot.com.

A série agora em exibição, dedicada aos "anos da depressão" (a outra, a antiga), está neste momento a mostrar uma magnífica colecção de filmes de gangsters, com aqueles de que nós gostamos, o Bogart, o Cagney... (não inclui as agências de rating, não).



Vai seguir-se uma série sobre o humor "marxista tendência Groucho". Surrealista e genial. Rir será sempre uma receita possível para não chorar.


Ainda o São João. Na Biblioteca Almeida Garrett, uma "cascata" feita por miúdos de várias escolas - desde os 3 anos! Com materiais reciclados e muita imaginação e criatividade.

A tranquilidade com mar ao fundo.

sexta-feira, junho 10, 2011

10 DE JUNHO COM DEDICATÓRIA



"Só o amor, e não a razão, é mais forte do que a morte."

Thomas Mann

PORQUE HOJE É 10 DE JUNHO, VERGÍLIO FERREIRA PARA SEMPRE


Pensar o Meu País

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente 2"



De repente toda a gente se pôs a um canto a meditar o país. Nunca o tínhamos pensado, pensáramos apenas os que o governavam sem pensar. E de súbito foi isto. Mas para se chegar ao país tem de se atravessar o espesso nevoeiro da mediocralhada que o infestou. Será que a democracia exige a mediocridade? Mas os povos civilizados dizem que não. Nós é que temos um estilo de ser medíocres. Não é questão de se ser ignorante, incompetente e tudo o mais que se pode acrescentar ao estado em bruto. Não é questão de se ser estúpido. Temos saber, temos inteligência. A questão é só a do equilíbrio e harmonia, a questão é a do bom senso. Há um modo profundo de se ser que fica vivo por baixo de todas as cataplasmas de verniz que se lhe aplicarem. Há um modo de se ser grosseiro, sem ao menos se ter o rasgo de assumir a grosseria. E o resultado é o ridículo, a fífia, a «fuga do pé para o chinelo». O Espanhol é um «bárbaro», mas assume a barbaridade. Nós somos uns campónios com a obsessão de parecermos civilizados. O Francês é um ser artificioso, mas que vive dentro do artifício. O Alemão é uma broca ou um parafuso, mas que tem o feitio de uma broca ou de um parafuso. O Italiano é um histérico, mas que se investe da sua condição no parlapatar barato, na gritaria. O Inglês é um sujeito grave de coco, mas que assume a gravidade e o ridículo que vier nela. Nós somos sobretudo ridículos porque o não queremos parecer. A politiqueirada portuguesa é uma gentalha execranda, parlapatona, intriguista, charlatã, exibicionista, fanfarrona, de um empertigamento patarreco — e tocante de candura. Deus. É pois isto a democracia?



10 DE JUNHO

Em tempos muito recuados e de recordações que misturam a inocência de todas as descobertas com os tons cinzentos e pesados da ausência de liberdade e de justiça, o "10 de Junho" era o "dia da raça" e as meninas e meninos de todo o país desfilavam, "cantando e rindo", com a farda da Mocidade Portuguesa, no Estádio Nacional. Se alguém da auto-designada "geração à rasca" ler estas palavras, achará certamente que me estou a referir a um outro país, a um outro planeta ou mesmo a uma outra galáctica. Mas não, é mesmo verdadinha! Depois a designação foi sofrendo várias alterações e o dia passou a homenagear Portugal, Camões e as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

Hoje, creio que o 10 de Junho deve homenagear os sobreviventes, os que navegam diariamente um oceano de incertezas, que enfrentam o Adamastor do FMI; que descobrem a 1002ª receita para cozinhar bacalhau: só com as batatas; que procuram, apesar de tudo, fazer humor com a palavra crise; que lamentam não poder aproveitar melhor as miniférias de Julho e só terem dinheiro para uma curta estadia no Algarve - com código de barras 560, que é nosso, é português.

sábado, abril 09, 2011

DESCOBERTAS

Depois de ter passado semanas completamente submersa em trabalho(s), com uma particular intensidade nos últimos dias, em que me afastei de tudo o que era mundo, subitamente deslumbrada descobri...

... que a primavera tinha chegado ao Porto... ... que neste nosso país maravilhoso o sol se põe no mar... ... que em Espinho já era verão... ... e que ser feliz é possível.

sábado, março 05, 2011

ERA PARA SER DE CARNAVAL...

Era para ser um post de Carnaval, mas não é.
Andava à procura de fotografias de Carnavais passados, já que os actuais não são o cúmulo da animação, mas em vez delas, vieram-me à mão estas - Paris 1966. Eu própria, é verdade! Não era exactamente Carnaval, creio que seria Agosto. De qualquer modo, lembro-me bem do risco que era trazer, na viagem de regresso, no Sud-Express, um volume das obras completas de Karl Marx, numa edição da Pléiade, encomendado por um amigo. Havia que ter uns certos cuidados, arrumá-lo na mala, bem disfarçado no meio da roupa, e esperar que a minha bagagem não suscitasse o interesse da Pide e não fosse revistada. Ora só quando, já em Portugal, os inspectores da Pide, com as suas "diplomáticas" luvas brancas, entraram no compartimento é que me lembrei que não tinha guardado o livro na mala e que ele estava ali mesmo, na rede por cima do meu lugar, à vista de todos. Gelei... e esperei. Mandaram-me descer as malas e abri-las, revistaram tudo, revolveram as roupas... agradeceram e saíram. Não olharam para a rede, por cima do meu lugar.




domingo, fevereiro 27, 2011

NOITE DE OSCARS

Vincent Van Gogh - Starry Night.

Dentro de algumas horas a noite será de estrelas a desfilar pela passadeira de todas as vaidades. Já reservei o meu lugar bem em frente da tv. E agora, é aguardar. Aceitam-se apostas. Espelho meu, espelho meu... quem tem mais razão do que eu?

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

14 DE FEVEREIRO



Roubado a um blog amigo, para homenagear os apaixonados (por alguém, pela vida, pelo planeta, pelos amigos, pela literatura, pelo cinema, pela música, etc, etc.) que visitam este cantinho hoje, Dia de S. Valentim.

domingo, fevereiro 13, 2011

O CISNE NEGRO

Uma mensagem de “anónimo” lembrou-me que há muito que este blog se encontra adormecido. E então, na calma do fim-de-semana, aqui fica um post sobre um tema já um pouco requentado, mas ainda a tempo.

Como qualquer história, a do Capuchinho Vermelho pode ser contada sob diversas perspectivas. Versão 1: é a história de uma sénior que estava recolhida no seu leito, adoentada, quando foi barbaramente devorada por um lobo esfomeado que entrou pela porta dentro. E isto porque a tonta da neta da senhora deu conversa ao primeiro que lhe apareceu pelo caminho e disse que a avó estava de cama e sózinha. Versão 2: é a história de um lobo que acabava de se banquetear com uma lauta refeição já um bocadinho fora do prazo quando um caçador intempestivo, sem querer ouvir argumentos, tipo Jack Bauer, resolveu fazer justiça. Versão 3: é a história de um corajoso caçador que põe fim à agonia de uma indefesa velhinha, libertando-a da barriga de um perigoso assaltante disfarçado de lobo mau. E ainda se arranjavam mais umas versões, mas já chega.

E, após esta introdução, posso passar ao tema deste post. O Cisne Negro.
O Cisne Negro é a história de uma antiga bailarina que abandonou a carreira para ser mãe. Tendo desistido da sua vida, profissional e pessoal, pela filha, cobra desta esse preço, com pesados juros, exigindo que ela seja a melhor, a mais famosa e deslumbrante bailarina de sempre, nem que para tal tenha de sacrificar toda a sua existência, sem concessões nem desfalecimentos. Afinal não foi isso que ela própria fez? Pois então está na altura de a filha a compensar pela vida que ela perdeu. No final, a mais completa felicidade ilumina o rosto da mãe, embriagada pelo estrondoso sucesso, no meio de uma plateia em delírio, mesmo que o preço seja a vida da filha, consagrando a glória a que ela própria se considerava com direito.
História velha como o mundo. No cinema vem já desde Belíssima, obra-prima de Visconti, passando por alguns outros títulos, em diversas cinematografias. Na vida real ela vem aparecendo cada vez mais, fruto dos programas de ídolos e afins. Velha como o mundo, mas, se considerarmos os amores e ódios que o filme provoca, capaz de despertar muitas paixões contraditórias.

Mãe castradora e doentiamente controladora, a antiga bailarina conduz rapidamente a filha a um estado de esquizofrenia grave, com desdobramento de personalidade e instintos auto-mutiladores. (O recurso constante aos espelhos para reforçar esse desdobramento de personalidade é um “cliché”, aqui bem enquadrado pela necessidade dos espelhos como ferramenta de trabalho.) Sempre dentro de casa, no seu luto negro pela vida perdida, ela concentra toda a sua energia em conservar intacto e virginal o casulo em que a filha é impedida de crescer e vigia no seu corpo, nos seus gestos, nas suas alterações de humor, nos seus gostos e apetites qualquer indício que a possa colocar na pista de uma eventual tentativa de fuga da caixinha de música onde ela dança, sem descanso, um eterno Lago dos Cisnes.
Mas, apesar da vigilância apertada, a filha escapa-se. E quando o faz é em explosão total. Incapaz de lidar com um mundo que a mãe tornou tabu, ela vai esbarrar fatalmente contra todos os espelhos que encontra no seu caminho – os de vidro e os humanos –, com consequências dramáticas. A multiplicidade de rostos – rostos com máscaras, rostos auto-mutilados, rostos transfigurados pelas drogas, pelo álcool, pela luxúria – é como uma galeria de fotografias do seu próprio rosto, que ela reconhece para logo de seguida recusar. Justificar completamente
E o que fica, de uma vida destroçada em mil lascas de espelho? A perfeição finalmente atingida. O rosto finalmente iluminado da antiga bailarina, agora liberta da sua rival de toda a vida.
Não é esta a história? Não? É a história de Nina, uma bailarina que...? Sintam-se, então, à vontade para contar a vossa versão.
A mim, o filme deixa-me bastante indiferente. Nem “Mata! Mata!”, nem “Oscar! Oscar!”. Mas é uma simples opinião de espectadora de cinema. Pouco importante. Aos especialistas a tarefa de se pronunciarem sobre aspectos mais específicos.Por mim, este ano os Oscars ficavam para o Acumulado, para o próximo ano.


domingo, novembro 07, 2010

A EVOLUÇÃO SILENCIOSA

Título: La Evolución Silenciosa. Autor: Jason DeCaires Taylor. 400 figuras em tamanho natural. Profundidade: 9m, Cancun / Isla Mujeres, Mexico.




As 400 esculturas, em cimento, foram baseadas em pessoas reais - na maioria mexicanos comuns - que foram transformadas em esculturas submarinas para dar abrigo à vida marinha. A composição química e o acabamento em cimento das esculturas promove a colonização da vida marinha, que com o tempo vai cobrir as esculturas em cores diferentes. Quando isso ocorrer, o artista vai perder o 'controle estético' sobre a sua obra, que ficará a cargo da vida marinha. Os modelos vivos usados por DeCaires vão desde uma freira de 85 anos, até a uma criança de 3 anos.
O Parque Nacional Marítimo e a Associação Náutica de Cancún vão convidar outros artistas para contribuir para o museu submarino que se deverá transformar numa forte atracção turística, desviando o fluxo de visitantes dos bancos de corais que se encontram sujeitos a grande desgaste.

imagens do site do autor

sábado, outubro 30, 2010

CINEECO 2010. O ENCERRAMENTO


Está encerrado o CineEco 2010. Até ao CineEco 2011!

O CineEco homenageia os realizadores portugueses presentes.

Lisandro Nogueira, Director do FICA, de Goiás (Brasil), saúda Seia, cidade geminada com Goiás através dos 2 festivais de cimema de ambiente.

O CineEco saúda os actores portugueses presentes.

CINEECO 2010. O JÚRI INTERNACIONAL


O Júri internacional: Fernando Lopes (Portugal), Io Apoloni (Itália/Portugal), Danae Estrela (Cabo Verde), Peter Vogelaere (Bélgica), Humberto Pinto (Portugal), Cristina Gomes (Portugal), Lisandro Nogueira (Brasil), Claudio Lauria (Espanha), Mucio Banja (Brasil), Paulo Magalhães (Portugal).

Io Apoloni, porta-voz do Júri Internacional.

Sean Walsh recebe o Prémio Valorização de Resíduos, com "Efeito Reciclagem".

Grande Prémio Cineeco 2010 para "Into Eternity", de Michael Madsen (Dinamarca, Finlândia, Suécia e Itália).

CINEECO 2010. OS JÚRIS


Júri da Juventude (Cáudia Almeida, Patrícia Guedes, Diogo Blanco, Teófilo Oliveira, Ana Schefer, Isac Martins e Miguel Ribeiro)

Júri das Extensões do CineEco - CineEco em Movimento (Silvina Pereira, Cristina Andrade Gomes e Carolina Leão).


Júri da Lusofonia (Amândio Silva, João Pereira Bastos, Licínia Girão, Ana Bilbao, Herman Mertens e Cristiano França Lima).

Prémio do Júri da Lusofonia para "Efeito Reciclagem", de Sean Walsh (Brasil).

CINEECO 2010 III


A entrada do CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela - Seia.


Fernando Lopes, Presidente do Júri - missão cumprida!

Em Seia, o CineEco é bom cinema e bom ambiente.

CINEECO 2010 II


Os júris que aguentaram estoicamente muitas horas de excelente cinema... e garantiram que adoravam repetir a experiência.

Nem só com filmes, mas também com as riquezas vinícolas da região se defende o bom ambiente.

Nicolau Breyner no espectáculo "Nicolau - 50 Anos de Carreira".


sexta-feira, outubro 29, 2010

CINEECO 2010


A sessão de abertura. Lauro António, Director Artístico do CineEco.

Claudio Lauria, Presidente do Festival de Cine e Medio Ambiente de Barcelona e Lauro António.

A sessão de abertura. Concerto Bernardo Sassetti Trio.

Bernardo Sassetti.

terça-feira, setembro 28, 2010

GUSTAVO

Este era o Gustavo. Soube hoje que já não é, a não ser na nossa recordação. Foi muito cá de casa. Depois as coisas da vida levaram a que os nossos caminhos se separassem e já há muito tempo que o não via. Foi um cão abandonado e "adoptado" e ficou sempre reconhecido pelo carinho que lhe dávamos. E nós pelo que ele nos dava. Não consigo deixar de me sentir triste pelo seu desaparecimento. Creio que estava já velhote e debilitado, depois de um atropelamento de que foi vítima. Mas o que se passa com os animais é que os recordamos sempre com saudade. Não há ressentimentos, nem mal-entendidos, nem traições. Com eles, ficamos sempre a ganhar. Eles às vezes é que nem por isso.

sexta-feira, setembro 24, 2010

HOJE NO PORTO

Hoje chovia no Porto. Pelo que vejo, chove um pouco por toda a parte. É o outono. A estação do talvez. Para mim que sou mais ou sim ou não, esta coisa do talvez não dá. Talvez vá chover, leva o chapéu-de-chuva. Talvez esteja fresco, leva um casaco. Mas talvez esteja antes abafado, não leves um casaco quente. Mas acham que uma pessoa não tem mais nada que fazer? Talvez…
Pois o Porto estava um bocado talvez, ora chove ora faz sol, ora refresca, ora abafa. Os hotéis do costume, lotados. Talvez haja no outro, ali ao lado. Não, também não. Mas o que é que se passa nesta cidade? - pergunta o taxista.
Talvez na Albergaria – alvitra o homem, que sabe destas coisas. Um quarto salvador na Albergaria. Perfeito.
Chovisca. Chateia. Está cinzento. Paciência. Não pode ser sempre verão, sempre azul, sempre afável. Não tenho nada contra o inverno. Inverno, franco e honesto! Agora este tempinho talvez, é do mais desonesto que há!
Mas o Porto estava magnífico! Fica-lhe bem o tempo talvez.

terça-feira, setembro 21, 2010

OPÇÕES DE VIDA

Durante a Idade do Gelo, muitos animais morreram por causa do frio. Os porcos-espinhos, apercebendo-se da situação, decidiram unir-se em grupos. Assim, estavam mais quentes e protegidos. O problema é que os espinhos feriam os que se encontravam mais próximos. Portanto, voltaram a afastar-se e começaram a morrer congelados. Tiveram então que decidir: ou aceitavam as feridas provocadas pela proximidade dos companheiros, ou desapareciam da face da terra. Sabiamente, optaram por ficar juntos. Aprenderam então que viver com as feridas provocadas pela relação com quem lhes era mais chegado era melhor do que perder o seu calor e morrer.
Obrigada à mão amiga que me fez chegar esta pérolazinha.