domingo, março 29, 2009

FOI O FAMAFEST 2009

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A notícia já vem um bocado tardia, mas a verdade é actual: o Famafest 2009 foi excelente! Bem sei que a minha opinião pode parecer um pouco parcial, mas os resultados não me deixam mentir. Salas cheias, dois magníficos concertos, uma excelente selecção de filmes, homenagens a nomes grandes da nossa cultura, trabalhos a concurso magníficos, juris de grande qualidade, premiados felizes. Para ver um pouco mais, é ir até ao Dia de Preguiça, onde ficam mais algumas imagens.


O PÚBLICO


AS HOMENAGENS



Luis Miguel Cintra

Suzana Borges

Mário Cláudio

Carlos do Carmo


Laura Soveral


OS PREMIADOS


Prémio Ficção Jovem
“Cântico Negro”, de Hélder Magalhães (Portugal)

Grande Prémio do Famafest
“O Clube da Calceta”, de Antón Dobao (Espanha, Galiza)

sexta-feira, março 13, 2009

E AGORA, BANDIDA?

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O Secretário de Estado do Interior da administração Obama, Ken Salazar, não aprovou a classificação do lobo cinzento como espécie em vias de extinção. Esta medida deixa sem protecção milhares de lobos, que ficam assim sujeitos a uma caça brutal, nos oito estados onde se encontra o seu habitat natural.
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quarta-feira, março 04, 2009

O GUIA DOS TEATROS E A BARRACA CONVIDAM...

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Uma boa iniciativa, esta. Quando a crise faz apertar as carteiras, o Guia dos Teatros leva os seus leitores ao teatro, de borla! A não perder. Basta estar atento ao Guia e ser rápido na resposta. Consta que Peça para Dois é só um princípio - aliás um bom princípio: um excelente texto de Tennessee Williams, pouco conhecido, numa boa versão portuguesa e com dois bons actores - mais teatros vão associar-se a esta iniciativa. Esteja atento!
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terça-feira, fevereiro 24, 2009

OSCARS 2009. PARABÉNS!

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Vi a cerimónia e gostei. Muito. Hugh Jackman à altura.
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Eu sei que a minha opinião não tem grande influência na Academia, mas estes são os meus Oscars 2009!
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E esta a minha grande frustração.
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segunda-feira, fevereiro 23, 2009

BAMBU: ECOALTERNATIVA AO ALGODÃO?

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O bambu, que merece já as preferências dos praticantes de ioga e dança devido à sua textura muito macia, maleável e fresca, chegou recentemente à moda como uma alternativa sustentável ao algodão.
Efectivamente, o bambu, como planta, é muito sustentável, devido ao seu crescimento rápido e ao facto de não necessitar de voltar a ser plantado depois de ceifado porque a sua raíz se estende por uma área grande, fazendo continuamente brotar novos rebentos. Para além destas vantagens, o bambu é um pesticida natural, pelo que não necessita de toxinas adicionais, tendo também propriedades naturais anti-bacterianas.
Dir-se-ia, portanto, que a fibra de bambu é ideal para a roupa: leve, extremamente agradável, suave ao toque e naturalente fresca. Contudo, a questão não é tão pacífica quanto se poderia pensar, já que a transformação da polpa em fio passa por um processo que não está isento de perigos, pelo menos quando se opta pelo processo químico. Já o processo mecânico não apresenta esse tipo de problema, mas torna-se mais trabalhoso e dispendioso.
Por outro lado, a crescente procura do bambu na moda levou já a um desbaste de grandes áreas de floresta para as transformar em plantações de bambu, para além de que o transporte dessas cargas para as fábricas contribuir também para a poluição global.
Portanto, embora o bambu possa ser considerado francamente sutentável, ele não é inteiramente orgânico. Apesar de tudo, a roupa de bambu pode ser considerada bastante mais amiga do ambiente do que o algodão e uma importante alternativa para a indústia textil. Para além de ser realmente uma fibra incrivelmente agradável para vestir.
(in Care2 Newsletter)
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sábado, fevereiro 21, 2009

PALMIRA É UMA OVELHA MUITO COMILONA

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A Palmira tem um grave problema de obesidade. Nada que não se resolva com bom senso e uma ajuda dos amigos, que são aquelas pessoas... bom, aquelas criaturas que estão presentes e atentas exactamente naqueles momentos em que mais precisamos delas.
O texto é de Elizabeth Perestrelo e as imagens do João Concha. O livro é encantador e tem toda a razão de ser nesta época em que tanto se fala no problema da obesidade infantil.
Palmira, a Ovelha Comilona é um livro que tem o enorme mérito de ser suficientemente simples e claro para ser compreendido pelos mais pequenos, mas ao mesmo tempo de ser suficientemente fixe para agradar aos mais crescidinhos. É que Palmira, a Ovelha Comilona fala de coisas muito importantes na vida de todos nós e fala com palavras de todos os dias e sem falsos moralismos.
Quanto ao trabalho do João Concha, creio que basta olhar para a Palmira para ficarmos rendidos. Incondicionalmente.
Um presente que vem mesmo a calhar para as meninas e meninos que são demasiado amigos de pipocas, batatas fritas, chocolates, hamburgers e que trocam uma boa brincadeira ao ar livre por doses indigestas de playstation e televisão.
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PORTUGAL. MANUAL DO UTILIZADOR #1

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Portugal é um país magnífico, só que às vezes é preciso conhecer alguns truques para se fruir devidamente de tudo o que ele tem para nos oferecer. Esta série hoje aqui iniciada tem como objectivo tornar mais inteligível uma certa lógica que por vezes nos escapa. Vale a pena tentar.

Objectos perdidos (ou roubados e depois "perdidos" pelos gatunos) têm sítio próprio onde os seus legítimos proprietários se podem dirigir e onde, com alguma sorte, os poderão recuperar. Na esperança de recuperar uma carteira desaparecida, dirigir-me,portanto, a essa seccção de Achados que, segundo informação de um taxista prático nestas lides, fica na PSP dos Olivais. "É só seguir as placas, está lá indicado".
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Chegada, portanto, aos Olivais e deparando-me com uma placa a indicar PSP, avancei, confiante. Volta à esquerda, nova placa, volta outra vez e lá está. PSP: uma fachada discreta mas bonitinha, com azulejos a recordar serviços públicos do meio do século passado, logotipo de PSP em azul e dourado, portinha pintada de verde. Aproximei-me. Porta fechada. "Atendimento ao Público: desça a escadinha de ferro à sua direita, atravesse a praceta, desça as escadas de pedra, contorne o muro e dirija-se à recepção" (não serão as palavras exactas, mas a informação é essa). Estacionámos o carro num lugar não excessivamente legal, sob o olhar desconfiado de um agente e lá descemos os dois lances da escada de ferro. Chegados à praceta, deparámos com uma igreja adventista (creio), umas portas largas sem identificação, mas nada que nos anunciasse a PSP. Faltava, contudo, descer os três lances da escada de pedra e então, sim, uma vasta área de estacionamento ocupada por carrinhas azuis indicou-nos que estavamos no bom caminho. Efectivamente faltava mais uma rampazinha e lá estava a recepção. "É aqui os Achados?" Não, não era, afinal devíamos ter seguido as placas que diziam PSP Achados e não as que diziam PSP apenas. "É já ali. Contornam a praceta, voltam à esquerda, de novo à esquerda e é uma casinha baixa com um toldo azul. Mas olhe que fecham ao meio dia e meia!" O relógio marcava 12 horas e 23 minutos. Não parecia tarefa impossível. Bastava subir a rampazinha, galgar os três lances da escada de pedra, atravessar a praceta, subir os dois lances da escada de ferro, recuperar a viatura (mal) estacionada, descer, seguir as placas "PSP Achados" e alcançar o toldo azul, em sete minutos. Eram exactamente doze horas e trinta minutos quando estacionámos em frente da porta, aberta, no exterior da qual três homens conversavam. Olharam para nós, viram-nos sair do carro e um deles abandonou apressadamente os companheiros e dirigiu-se para o interior, fechando rapidamente a porta. Uf! por pouco! "Fecha ao meio dia e meia, para almoço." Fiz menção de me dirigir ainda à entrada, embora com poucas esperanças: "Mas... era só..." "Agora só à uma e meia. É a hora de almoço."

Está certo. Meio dia e meia é meio dia e meia, não é meio dia e trinta e um. Uma hora para almoçar. Não se pode dizer que dê para um lauto banquete, é um facto. A carteira? Não faço ideia. Talvez afinal fazer uma segunda via dos documentos não seja assim tão complicado quanto parece!
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sábado, fevereiro 14, 2009

NINGUÉM DISSE QUE ERA FÁCIL*

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Johnny Guitar - How many man have you forgotten?
Vienna - As many woman as you've remembered.
J.G. - Don't go away.
V. - I haven't moved.
J.G. - Tell me something nice.
V. - Sure. What do you want to hear?
J.G. - Lie to me. Tell me all these years you've waited. Tell me.
V. - All these years I've waited.
J.G. - Tell me you've died if I hadn't come back.
V. - I would have died if you hadn't come back.
J.G. - Tell me you still love me like I love you.
V. - I still love you like you love me.
J.G. - Thanks. Thanks a lot.


* São Valentim sem brindes, promoções, talões ou descontões.
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quinta-feira, fevereiro 05, 2009

ECOCRIATIVIDADE

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Reciclar também pode passar por transformar os resíduos em arte. Assim o entendeu o artista plástico Jean-Luc Cornec e o Museu de Comunicações de Frankfurt. Os materiais utilizados neste rebanho são exclusivamente telefones fora de uso.
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sábado, janeiro 31, 2009

PRÉMIO LITERÁRIO SÓ PARA GIGANTES

.. Haruki Murakami foi o escritor galardoado com o Prémio Jerusalém 2009.
O Prémio Jerusalém, que é atribuído de dois em dois anos, no âmbito da Feira do Livro de Jerusalém, tem como objectivo distinguir um escritor cuja obra seja especialmente representativa dos valores da liberdade e das interligações do homem com a sociedade e a política. Trata-se de um dos mais prestigiantes galardões de todo o mundo, instituído em 1963, que foi já atribuído a autores como Bertrand Russell, Susan Sontag, Jorge Semprun, Mário Vargas Llosa, Graham Greene, Simone de Beauvoir ou Arthur Miller.

Murakami, que raramente aceita estar presente em actos públicos, irá a Jerusalém receber o prémio, que lhe será entregue na Feira do Livro.

foto Público
Em 2005 este mesmo Prémio Jerusalém foi atribuído a António Lobo Antunes.
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segunda-feira, janeiro 26, 2009

SERÁ QUE O CINEMA PORTUGUÊS AGUENTA?

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Cuidado! É possível que estreie brevemente num cinema perto de si.
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"Esqueça tudo o que ficou para trás! Este filme marca a grande viragem no cinema português." Já ouvimos isto várias vezes. Curiosamente, costuma vir associado a um filme bastante mau, idependentemente do seu relativo sucesso (ou insucesso) de bilheteira. Desta vez a coisa atingiu as raias do surrealismo (com as devidas desculpas ao verdadeiro, ao genuino). Não sei se o cinema português aguentará muito mais viragens destas. Começa já a parecer um frango sem clientela, a perder o gosto e o suco, tantas as voltas que dá.

Apesar de termos já sido brindados com vigorosas críticas de doutos especialistas, com as quais concordo linha por linha, vírgula por vírgula, hoje apetece-me dar a minha visão da obra. Afinal uma obra aberta, que permite uma second life, permite uma second opinion. Tal como no filme, é igual à primeira, but who cares!

Então o filme conta a história de um grupo de modelos, giros, modernos e elegantes, que se reunem numa casa com piscina. Numa noite, bebem, discutem, snifam sem critério, lambem-se mútua e indiscriminadamente e um deles vai parar à piscina. De borco. Então eles viram-no de barriga para cima (é essa a grande viragem no cinema português!) e como ele parece que está morto, estão-se todos nas tintas e resolvem esperar até ser dia - sem desmanchar as poses - que o Malato venha fazer uma perninha como GNR (ou similar) e, com dois amigos porreiros, gnrs (ou similares) também, darem mais uma viragem no caso. Então ficamos a saber que não houve crime nenhum (ninguém tinha dito que havia, também!) e que o moço (polaco, creio, com aquele ar abatido que se pode apreciar no cartaz) sofria do coração. E pronto! Se calhar não tomou os comprimidos, o que não admira nada porque estavam escondidos numa caixa secreta, que me parece o lugar ideal para guardar comprimidos. E então vai tudo embora, na maior, porque já atingiram uma metragem que parece satisfazer o realizador(???).

Lá pelo meio há uns actores que fazem umas figurações especiais, não relevantes, mas foi giro, foi mais pelo convívio - e fica bem na ficha técnica. Agora bom, bom, foram as viagens a Itália para filmar umas quantas cenas absolutamente dispensáveis à compreeensão (??) da obra, mas que sempre servem de justificação para falarem um bocado de italiano, à mistura com o resto - ah, porque, já me esquecia de dizer, eles falam ora em português, ora em inglês. Todos. Indiscriminadamente. Ao calhas. É por isso que é a second life, senão na volta era a segunda vida, sabe-se lá.

Se quiserem esqueçam tudo o que já viram, mas uma coisa é imperiosa: esqueçam este filme. Faz mal à saúde, polui o ambiente, aumenta o buraco do ozono, polui os rios e oceanos, mata espécies em risco de extinção, dá-nos cabo da paciência.

E tenham medo, muito medo: pode sempre haver uma segunda vida!
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sábado, janeiro 24, 2009

VOTE, NÃO FIQUE DE FORA!

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Como aconteceu no ano passado, o Guia dos Teatros vai este ano atribuir os Prémios de Teatro Guia dos Teatros, referentes ao ano de 2008. A entrega terá lugar em Maio de 2009, numa cerimónia que, a avaliar pela do ano passado, vai concentrar no Museu do Teatro os nomes maiores da cena portuguesa.
Aqui fica a papinha toda feita para votarem no vosso actor/actriz preferido, na peça, no encenador, enfim, em tudo o que faz do teatro aquele espectáculo capaz de nos deslumbrar e de ficar na nossa memória para sempre.
É fácil: façam o download do boletim de voto aqui e enviem as nomeações para o mail entrarempalco@entrar-em-palco.pt .
O quê? Não viram muito teatro? Não faz mal: o que viram deixou certamente marca e merece o vosso voto.
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quinta-feira, janeiro 22, 2009

http://www.one.org CONTRA A POBREZA NO MUNDO

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To the people of poor nations, we pledge to work alongside you to make your farms flourish and let clean waters flow; to nourish starved bodies and feed hungry minds. And to those nations like ours that enjoy relative plenty, we say we can no longer afford indifference to suffering outside our borders; nor can we consume the world's resources without regard to effect. For the world has changed, and we must change with it.

Barack Obama
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terça-feira, janeiro 20, 2009

SAIU-ME O EUROMILHÕES!

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Não, infelizmente não saiu. Mas também não estava à espera, até porque não joguei.
De qualquer forma, agora que já refrearam aquele primeiro impulso de me enviarem os vossos NIBs, podem aproveitar o balanço para VOTAR nos Prémios de Teatro do Guia dos Teatros.

O Teatro e todos aqueles que vivem e lutam pelo Teatro merecem!

domingo, janeiro 11, 2009

FICÇÃO E REALIDADE # 2

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Ainda graças à generosidade do Pai Natal, outra das minhas séries indispensáveis ocupa agora as minhas noites. House, pois claro.
Mas, mais uma vez, a realidade apareceu a sobrepôr-se à ficção. Escassas 9 horas passadas sobre a "alta" dada à senhora do post anterior, esta voltou a ser transportada de emergência por nova dupla de eficientes "inem's" às mesmas urgências, do mesmo hospital. Com a memória ainda fresca da saga da véspera, eu estava decidida a impôr as minhas regras contra as dos seguranças, mas desta vez os robots haviam sido substituídos por humanos e a coisa foi incomparavelmente mais fácil. Surrealismo da questão? Umas escassas 10 horas depois de ter sido enviada para casa com alta porque estava "tudo bem com ela", a senhora ficou internada em estado de certa gravidade (é verdade que numa maca, num corredor, mas o surto de gripe traz os hospitais num pandemónio perfeito).
Ai, House, House, a falta que tu fazes!
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PS- a situação encontra-se controlada (após transferência para uma unidade particular). Lição a reter: enquanto têm saúde e idade para isso, por favor, invistam num seguro de saúde!

segunda-feira, janeiro 05, 2009

FICÇÃO E REALIDADE

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Quando fui dormir, lá para as cinco da manhã deste domingo, com a barriguinha bem cheia com alguns episódios da 3ª série de Anatomia de Grey, que o Pai Natal teve a generosidade de me trazer, não imaginava que o telefone me ia despertar daí a menos de quatro horas. Numa transição brusca da ficção para a realidade, informavam-me de que uma pessoa de família, de idade avançada, fora encontrada inanimada em casa onde, devido à sua incomensurável teimosia, vive sozinha. O hospital da área da acidentada é o Curry Cabral e para lá nos dirigimos, após rápida e eficientíssima intervenção do INEM.

Eram nove e meia da manhã e eu reconheço que tenho um péssimo feitio ao acordar, mas quando informei a pessoa que me impediu a entrada nos serviço de urgência de que dispunha de elementos sobre a doente que talvez fosse bom comunicar ao médico, não o fiz por vontade de embirrar, mas porque achei, muito sinceramente, que poderia ser útil partilhar informações que eu tinha e a própria não se encontrava em estado de comunicar.

Péssimo julgamento meu: "sente-se e espere. Na sala". A sala é um eufemismo pois antes se assemelha a um recanto do corredor com meia dúzia de cadeiras de plástico e um biombo de pano a dividi-la dos tais serviços de urgência. Nessa sala permaneci durante oito horas, sem comer nem beber, não fosse alguém chamar pelos "acompanhantes de Fulana de Tal" e eu perder a oportunidade de um milhão de dólares (vi casos e, digo desde já, não queiram estar no lugar deles!). Tentei várias vezes penetrar no santuário das urgências, servindo-me dos mais óbvios argumentos, tais como as "modernas" teorias de que os doentes estão melhor quando acompanhados por alguém de família, que se calhar eu dispunha de elementos importantes, que se eu pudesse falar com um médico talvez... enfim, tudo em vão. As senhoras da recepção (muito prestáveis) acabaram por levar uma espécie de requisição (eram 4 da tarde) "lá dentro" a pedir que me fosse permitido falar com um médico, o que veio efectivamente a acontecer (cerca de 7 horas e meia após a entrada da doente). A médica era jovem, muito agradável, simpática, interessada, muito profissional e com um olhar inteligente e cúmplice "convidou-me" a reparar bem no serviço de urgências, na escassez de espaço, na ausência de recursos, enfim, em tudo o que torna impossível, fisicamente impossível, que aquele espaço seja partilhado por doentes, médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar, toda a equipa do Seattle Grace e, ainda por cima, os familiares dos doentes.
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Compreendi. Só não compreendo porque é que chamam àquele corredor serviço de urgências. Eu gostava muito de ter uma piscina em casa, mas não é por isso que me ponho a chamar piscina à banheira.
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A médica, após ouvir a explicação que eu trazia engatilhada desde as nove e meia da manhã, exclamou com ar de evidente alívio: "Ah, então é isso? Pois é que se eu soubesse nem tinha sido preciso fazer tantos exames, que são demorados! Agora estou a ver." E mandou-me voltar daí a hora e meia, duas horas porque a doente já poderia ter alta. Quando saía, ao passar pela sala de espera, uma "acompanhante" gritava para uma idosa obviamente sedada: "Ena pá, 'tás c'uma moca do camandro!" e perante a indiferença da própria: "'Tás pedrada de todo!".

Passada a tal hora e meia, voltei. O panorama não mudara. O número de pessoas que tossiam cavernosa e compulsivamente na sala de espera aumentara consideravelemente, assim como as probabilidades de contágio.

Enquanto a minha filha preenchia o livro de reclamações, a doente foi-me entregue, com alta (e com uma moca do caraças, diga-se de passagem). Enquanto esperava pelo papel da dita alta, sentei-me um pouco numa cadeira (eram oito da noite e estava cansada). De imediato senti qualquer coisa fria e molhada repassar-me as calças. Levantei-me e tentei identificar o fluído pastoso e da cor da madeira, perfeitamente camuflado com a cadeira. Um auxiliar acorreu, prestável e optimista: "Não se preocupe, é sopa."

SOPA! Eu tinha-me sentado numa cadeira cujo assento estava coberto de SOPA!


E do Mac Dreamy, nem sombras!

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