

Haruki Murakami foi o escritor galardoado com o Prémio Jerusalém 2009.
foto Público
"Esqueça tudo o que ficou para trás! Este filme marca a grande viragem no cinema português." Já ouvimos isto várias vezes. Curiosamente, costuma vir associado a um filme bastante mau, idependentemente do seu relativo sucesso (ou insucesso) de bilheteira. Desta vez a coisa atingiu as raias do surrealismo (com as devidas desculpas ao verdadeiro, ao genuino). Não sei se o cinema português aguentará muito mais viragens destas. Começa já a parecer um frango sem clientela, a perder o gosto e o suco, tantas as voltas que dá.

Ainda graças à generosidade do Pai Natal, outra das minhas séries indispensáveis ocupa agora as minhas noites. House, pois claro. 
PS- a situação encontra-se controlada (após transferência para uma unidade particular). Lição a reter: enquanto têm saúde e idade para isso, por favor, invistam num seguro de saúde!
Quando fui dormir, lá para as cinco da manhã deste domingo, com a barriguinha bem cheia com alguns episódios da 3ª série de Anatomia de Grey, que o Pai Natal teve a generosidade de me trazer, não imaginava que o telefone me ia despertar daí a menos de quatro horas. Numa transição brusca da ficção para a realidade, informavam-me de que uma pessoa de família, de idade avançada, fora encontrada inanimada em casa onde, devido à sua incomensurável teimosia, vive sozinha. O hospital da área da acidentada é o Curry Cabral e para lá nos dirigimos, após rápida e eficientíssima intervenção do INEM.
Péssimo julgamento meu: "sente-se e espere. Na sala". A sala é um eufemismo pois antes se assemelha a um recanto do corredor com meia dúzia de cadeiras de plástico e um biombo de pano a dividi-la dos tais serviços de urgência. Nessa sala permaneci durante oito horas, sem comer nem beber, não fosse alguém chamar pelos "acompanhantes de Fulana de Tal" e eu perder a oportunidade de um milhão de dólares (vi casos e, digo desde já, não queiram estar no lugar deles!). Tentei várias vezes penetrar no santuário das urgências, servindo-me dos mais óbvios argumentos, tais como as "modernas" teorias de que os doentes estão melhor quando acompanhados por alguém de família, que se calhar eu dispunha de elementos importantes, que se eu pudesse falar com um médico talvez... enfim, tudo em vão. As senhoras da recepção (muito prestáveis) acabaram por levar uma espécie de requisição (eram 4 da tarde) "lá dentro" a pedir que me fosse permitido falar com um médico, o que veio efectivamente a acontecer (cerca de 7 horas e meia após a entrada da doente). A médica era jovem, muito agradável, simpática, interessada, muito profissional e com um olhar inteligente e cúmplice "convidou-me" a reparar bem no serviço de urgências, na escassez de espaço, na ausência de recursos, enfim, em tudo o que torna impossível, fisicamente impossível, que aquele espaço seja partilhado por doentes, médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar, toda a equipa do Seattle Grace e, ainda por cima, os familiares dos doentes.
Compreendi. Só não compreendo porque é que chamam àquele corredor serviço de urgências. Eu gostava muito de ter uma piscina em casa, mas não é por isso que me ponho a chamar piscina à banheira.
SOPA! Eu tinha-me sentado numa cadeira cujo assento estava coberto de SOPA! 
E do Mac Dreamy, nem sombras!

Tinha 2 anos e nunca ninguém teve Natais mais felizes. Por isso é que eu gosto do Natal. Do Natal de ontem, do de hoje e do de amanhã - ao contrário do velho Ebenezer Scrooge (o gorro não era porque fizesse frio dentro de casa, mas foi para a foto porque fazia parte do conjunto, vermelho e branco, tricotado pela minha mãe).
Confesso que me sinto um pouco desorientada! A revista People escolheu este ano, como é habitual, os mais sexy do mundo. O acontecimento já teve lugar há um mês, mas ocupada como tenho andado, escapou-se-me. O que é lamentável. Mas vale mais tarde, etc, etc e então lá me fui informar. E aí é que começa a minha desorientação! Tive a sensação de estar a ver olivro de curso de uma high school americana! Mas onde é que eu tenho andado? Quem são estes moços? O que andam eles a fazer? Onde estão "os outros"? Valham-nos algumas honrosas excepções, como o Barden, claro e pouco mais.
E pronto, são desgostos destes que nos fazem velhos. Mas vá lá a gente andar a correr atrás do tempo... Apesar de tudo, continuo a achar mais graça aos que já têm o diploma da pré-primária!
b Já não se vê o trigo,
a vagarosa ondulação dos montes.
Não se pode dizer que fossem contigo,
tu só levaste esse modo
infantil de saltar o muro,
de levar à boca
um punhado de cerejas pretas,
de esconder o sorriso no bolso,
certa maneira de associar às rolas
ou então pedir um copo de água,
e dormir em novelo,
como só os gatos dormem.
Tudo isso eras tu, sujo de amoras.
Eugénio de Andrade
b

Como Alices perante o desconhecido ficamos muitas vezes hesitantes e suspensos. O nosso imaginário viaja, voa, perde-se em mundos inesperados.
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