quinta-feira, novembro 27, 2008

PÓVOA DA ATALAIA

b Já não se vê o trigo,
a vagarosa ondulação dos montes.
Não se pode dizer que fossem contigo,
tu só levaste esse modo

infantil de saltar o muro,
de levar à boca
um punhado de cerejas pretas,
de esconder o sorriso no bolso,

certa maneira de associar às rolas
ou então pedir um copo de água,
e dormir em novelo,
como só os gatos dormem.

Tudo isso eras tu, sujo de amoras.

Eugénio de Andrade

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domingo, novembro 16, 2008

GURAFIKA MISHIMA YUKIO

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Gurafika Mishima Yukio. (Mishima, Yukio)
Japão: Shinchosa, 1990. Texto inteiramente em japonês.
Biografia de Mishima, numa edição que consta ser belíssima. Por estas e por outras já pensei em aprender japonês, mas deve ser mesmo muito difícil!
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NOTÍCIAS DO OUTRO LADO DO ESPELHO

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As Alices deram notícias. Dizem que estão bem, que Coimbra tem mais encanto, que o sítio é bom, que têm sido bem recebidas. Ficamos mais tranquilos.


AS ALICES DAS NOSSAS VIDAS

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Como Alices perante o desconhecido ficamos muitas vezes hesitantes e suspensos. O nosso imaginário viaja, voa, perde-se em mundos inesperados.
As Alices do João Concha levam o imaginário a novas paragens. E viajam pelo país. Até 19 de Dezembro estão em Coimbra. Desejo-lhes uma proveitosa estadia. E para o João, muitos voos para lá dos espelhos, para nosso prazer e satisfação.

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domingo, novembro 09, 2008

MUSEU DA MARIONETA

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A pretexto da nova exposição O Regresso dos Animais, e aproveitando um fim de semana com o M pequeno, aproveitei para ir até ao Museu da Marioneta. Desde sempre que eu sabia da sua existência, mas nunca calhara lá ir, talvez porque nunca tivesse sentido o "apelo" daquelas criaturinhas de beleza carregada de melancolia, com os gestos pendendo, sem vida das cordas que ninguém anima. Felizmente que a publicidade agora exibida na tv é bonita, em vez de daqueles spots que nos tiram toda a vontade de ir onde quer que seja. A publicidade institucional, portanto, funciona, desde que seja feita com o empenho de quem acredita nas coisas.


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E a visita valeu a pena. O Museu está muito bonito, apesar do espaço não ser muito grande, o que compensa estando muito bem cuidado e decorado. As peças, cuidadamente expostas, quer as da exposição temporária O Regresso dos Animais, como as que constituem a exposição permanente, são magníficas, desde as que deslumbram pela criatividade e bom gosto, às que comovem pela ingenuidade e simplicidade. Alguns vídeos, exibindo documentários em que as figuras são mostradas em acção, contribuem para que os visitantes tenham uma melhor noção do mundo de encanto e magia que aquelas figuras permitem criar.


Um museu que faz os adultos regressar à infância, se esse for um dos seus prazeres, e permite às crianças descobrirem um universo que existia muito antes da invenção da playstation.
Vão ao Museu da Marioneta! Não invente desculpas: o Museu fica no Convento das Bernardas, na Rua da Esperança, uma coisa que nunca devemos perder. A dois passos de Santos e de S. Bento, está a ver? E se a visita os deixar tão entusiasmados como nos deixou a nós, o Museu tem propostas muito interessantes de actividades fantásticas para os miúdos darem largas à sua criatividade e imaginação.


Ah! Existe ainda a possibilidade de fazer ali as festinhas de aniversário das criancinhas! Fixe, não é?

terça-feira, novembro 04, 2008

HOJE: OBAMA vs McCAINE

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"O mais grave no nosso tempo não é não termos respostas para o que perguntamos - é não termos já mesmo perguntas." - Vergílio Ferreira


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sábado, novembro 01, 2008

O INVERNO NA SERRA

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Linhares. A peregrinação anual aos lugares de Vergílio Ferreira e da Manhã Submersa. Um verdadeiro frio da Serra, este ano. Penetrante, carregado do gelo que por aí há-de vir. Deslumbrantes as paisagens, ásperas, duras, de pedra que ganha insuspeitada leveza na ânsia de arranhar as nuvens. Dura também a vida de quem ainda hoje continua a escavar o dia a dia no meio desta natureza que parece reclamar o seu direito à solidão e ao isolamento.
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terça-feira, outubro 07, 2008

RODRIGO LEÃO NA ABERTURA DO CINEECO

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É só o primeiro de muitos motivos para ir ao CineEco 2008 - Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Ambiente. É já no dia 18 e vai até 25. E vai ser muito bom. Em Seia - na Serra da Estrela. Venha daí! Já imaginou o prazer de admirar a serra nesta altura do ano; apreciar o melhor queijo do mundo (disseram-me e eu acredito!); conviver com pessoas fantásticas; ver (e ouvir) o Rodrigo Leão... e ver uma selecção excepcional do melhor que se faz no mundo em cinema e vídeo sobre os mais actuais, importantes e inquietantes temas relacionados com o ambiente e este nosso mundo que habitamos e que vamos deixar às gerações futuras, com todas as suas riquezas e com tantos (e tão graves)problemas!
'bora ir a Seia! Não diga que não avisámos!

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sexta-feira, outubro 03, 2008

DECLARO ABERTA A ESTAÇÃO

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O M. pequeno começou a frequentar a escola primária (a oficial, sim). O Cineeco é hoje apresentado ao público e imprensa, às 15h30, no espaço da edp da Praça Marquês de Pombal. Outubro já começou. Também hoje, pelas 21h30, a Maria Quintans e o João Concha apresentam o seu livro na primeira tertúlia VavaDiando desta temporada, agora numa versão dupla: VavaDiando e VavaDiando com Livros.

C'est la saison, enfim.





segunda-feira, setembro 29, 2008

PARABÉNS, FICAP!

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O Frederico, a Cátia e o seu grupo de generosos e dedicados colaboradores conseguiram o feito de pôr de pé o FICAP. Com a cumplicidade do Museu do Teatro e do seu director. Estão todos de parabéns! Foi um acontecimento de uma qualidade surpreendente. Viram-se filmes que de outra forma não seriam vistos. Três júris igualmente dedicados (e cumpridores) premiaram obras de grande interesse. Foi para muitos espectadores uma revelação descobrir o universo de génios como Robert Wilson, Peter Brook ou Philip Glass. Aliás, apetece-me para citar aqui este último, num filme sobre a sua obra: "Faço e sempre fiz aquilo que quero e de que gosto. Se não gostarem da minha música, não ouçam... há tanta música no mundo!"


Foto Telénia Araújo (MEF)
Contrariamente ao que é meu hábito, não andei de máquina fotográfica a registar o FICAP. E porquê? perguntarão. Porque havia uma excelente cobertura fotográfica, integrada no programa do FICAP, numa interessante parceria com o Movimento de Expressão Fotográfica (MEF). Por isso aqui fica uma fotografia com os devidos créditos, tirada na conferência de imprensa que antecedeu o FICAP. Mais fotos aqui.
Parabéns ao FICAP 2008, na pessoa do seu director, Frederico Corado. Viva o FICAP 2009!
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sábado, setembro 27, 2008

BUTCH CASSIDY MORREU.

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O título deste post não é meu. Foi assim que me confirmaram a notícia já há tempo anunciada: Paul Newman morreu. Deixa aquela sensação de que nem a beleza é eterna. Morreu aos 83 anos de uma vida bem vivida. Tanto quanto se sabe, fez o que quis, como quis e acabou em casa, rodeado dos seus, como foi sua manifesta vontade. Entrou para a lista daqueles que "por obras valorosas se vão da lei da morte libertando"... O Sundance Kid ficou só.




JÁ ESTÁ À VENDA!

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A "Apoplexia da Ideia", da Maria (Bandida) Quintans foi recebido com um fim de tarde glorioso na Fnac do Chiado. Sala cheia como nunca vi. Os amigos, a família, todos quiseram estar presentes neste momento em que o "primogénito" (como o Lauro António lhe chamou na apresentação) foi apresentado ao público e colocado nos escaparates da Fnac. Com ilustrações (muito boas!) do João Concha, esta Apoplexia da Ideia abre a porta a um fluxo poético que já muito prometia no "Bandida", mas que agora toma outra forma e outro corpo.

A alegria radiosa nos olhos - hoje mais do que nunca daquela cor tão improvável - não engana: o primogénito não vai ficar filho único. E ainda bem!

O apresentador estava inspirado, a autora estava linda e o artista plástico escondia-se atrás daquela modéstia que lhe conhecemos.


Parabéns (merecidos) e... boas vendas (que é uma coisa que ajuda muito, quer se queira, quer não)!

quarta-feira, setembro 03, 2008

quarta-feira, agosto 13, 2008

FOI VOCÊ QUE PEDIU?...

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Chama-se Ricardo José e tem um blog, onde publicou este post. Que eu agradeço. Embora ele não me conheça nem saiba quem eu sou.

Encurtando caminho, transcrevo o que o Ricardo José diz:

"O anúncio não é novo, mas só há pouco soube que quem o realizou foi um amigo meu e colega de curso, o Fred Oliveira.Fazer parte da produção dum filme publicitário da Porto Ferreira, que mantém o mesmo slogan das nossas primeiras memórias de espectador, é fazer assim um bocadinho parte da cultura popular portuguesa."

Não tenho por hábito, quer por feitio, quer por prática profissional, pôr-me em bicos de pés e gritar "fui eu que fiz!". Mas quando vejo alguém referir um slogan que faz parte das suas "primeiras memórias de espectador" e incluí-lo na "cultura popular portuguesa", não resisto! É que fui eu que pedi um Porto Ferreira. Normalmente, o trabalho de criação publicitária pertence a uma dupla, ou mesmo a uma equipa. Quando corre bem, ganhamos todos, quando corre mal, levamos todos na cabeça. Pelo menos dantes era assim. Mas este é dos poucos casos da minha longa carreira de criativa publicitária em que digo "fui eu que fiz" e, desculpem a imodéstia, nestes momentos sinto-me orgulhosa!

Aqui fica o filme, este feito pelo Fred Oliveira, muitos anos depois do primeiro, realizado por uma outra equipa, com outros meios, outros recursos, mas afinal, não tão diferente assim...

E obrigada ao Lauro António, que me fez chegar esta boa notícia, a de que entrei definitivamente para a "cultura popular portuguesa".


sexta-feira, agosto 01, 2008

BOAS E MÁS NOTÍCIAS

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A boa notícia para quem vai agora descobrir Stieg Larsson - ou quem acabou de o descobrir, que é o meu caso - é que , para além do recentemente publicado "Os Homens que Odeiam as Mulheres", ainda há mais dois volumes da triologia "Millenium".
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A má notícia é que, depois desses, acabou-se. Não haverá mais nenhum.
Stieg Larssen morreu em 2004, poucos dias depois de ter entregue a sua triologia - que ele tencionava continuar - à editora, sem ter tido oportunidade de saber o fantástico fenómeno de popularidade em que a sua obra se iria transformar.

Stieg Larsson nasceu em Västerbotten, no norte da Suécia, em 1954. Cresceu no campo, perto da pequena comunidade de Norsjö, e foi criado pelos avós até à morte do avô, em 1962.
Trabalhou como designer gráfico na agência noticiosa Tidningarnas Telegrambyrå (TT) entre 1977 e1999.
É bem conhecido o envolvimento profundo de Stieg Larsson na luta contra o racismo e os movimentos extremistas de direita. Nos anos 80, foi um dos impulsionadores do projecto anti-violência “Stop the Racism”. E em 1995 foi fundador da Expo-foundation, onde viria a ser editor chefe da revista Expo.
Nos início deste século Stieg Larsson começou a escrever romances policiais, tendo dessa actividade resultado a série Millenium, cujo primeiro volume chega agora às livrarias na sua versão portuguesa.
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"Os Homens que Odeiam as Mulheres" é um policial bem conseguido, que se lê de um fôlego, apesar das suas cerca de 500 páginas, que cresce em emoção e suspense, tornando impossível abandoná-lo antes do fim. Mas o livro é muito mais do que isso, é uma análise dos mecanismos doentios de mentes distorcidas para quem conceitos como igualdade, tolerância, integração, e outros, não têm qualquer significado. De uma enorme e angustiante actualidade e lucidez, este thriller implacável vem trazer-nos à memória monstruosidades mais e menos recentes, com as quais não parece ser possível deixarmos de tropeçar, para nossa estupefacção e horror.
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A primeira fase da série "Millenium" está já a ser adaptada ao cinema. Michael Nyqvist e Noomi Rapace interpretam os papéis respectivamente de Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander. O primeiro filme da triologia, "Os Homens que Odeiam as Mulheres" é realizado por Niels Arden Oplev, um realizador dinamarquês e a estreia está prevista para 2009.
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