quarta-feira, agosto 13, 2008

FOI VOCÊ QUE PEDIU?...

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Chama-se Ricardo José e tem um blog, onde publicou este post. Que eu agradeço. Embora ele não me conheça nem saiba quem eu sou.

Encurtando caminho, transcrevo o que o Ricardo José diz:

"O anúncio não é novo, mas só há pouco soube que quem o realizou foi um amigo meu e colega de curso, o Fred Oliveira.Fazer parte da produção dum filme publicitário da Porto Ferreira, que mantém o mesmo slogan das nossas primeiras memórias de espectador, é fazer assim um bocadinho parte da cultura popular portuguesa."

Não tenho por hábito, quer por feitio, quer por prática profissional, pôr-me em bicos de pés e gritar "fui eu que fiz!". Mas quando vejo alguém referir um slogan que faz parte das suas "primeiras memórias de espectador" e incluí-lo na "cultura popular portuguesa", não resisto! É que fui eu que pedi um Porto Ferreira. Normalmente, o trabalho de criação publicitária pertence a uma dupla, ou mesmo a uma equipa. Quando corre bem, ganhamos todos, quando corre mal, levamos todos na cabeça. Pelo menos dantes era assim. Mas este é dos poucos casos da minha longa carreira de criativa publicitária em que digo "fui eu que fiz" e, desculpem a imodéstia, nestes momentos sinto-me orgulhosa!

Aqui fica o filme, este feito pelo Fred Oliveira, muitos anos depois do primeiro, realizado por uma outra equipa, com outros meios, outros recursos, mas afinal, não tão diferente assim...

E obrigada ao Lauro António, que me fez chegar esta boa notícia, a de que entrei definitivamente para a "cultura popular portuguesa".


sexta-feira, agosto 01, 2008

BOAS E MÁS NOTÍCIAS

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A boa notícia para quem vai agora descobrir Stieg Larsson - ou quem acabou de o descobrir, que é o meu caso - é que , para além do recentemente publicado "Os Homens que Odeiam as Mulheres", ainda há mais dois volumes da triologia "Millenium".
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A má notícia é que, depois desses, acabou-se. Não haverá mais nenhum.
Stieg Larssen morreu em 2004, poucos dias depois de ter entregue a sua triologia - que ele tencionava continuar - à editora, sem ter tido oportunidade de saber o fantástico fenómeno de popularidade em que a sua obra se iria transformar.

Stieg Larsson nasceu em Västerbotten, no norte da Suécia, em 1954. Cresceu no campo, perto da pequena comunidade de Norsjö, e foi criado pelos avós até à morte do avô, em 1962.
Trabalhou como designer gráfico na agência noticiosa Tidningarnas Telegrambyrå (TT) entre 1977 e1999.
É bem conhecido o envolvimento profundo de Stieg Larsson na luta contra o racismo e os movimentos extremistas de direita. Nos anos 80, foi um dos impulsionadores do projecto anti-violência “Stop the Racism”. E em 1995 foi fundador da Expo-foundation, onde viria a ser editor chefe da revista Expo.
Nos início deste século Stieg Larsson começou a escrever romances policiais, tendo dessa actividade resultado a série Millenium, cujo primeiro volume chega agora às livrarias na sua versão portuguesa.
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"Os Homens que Odeiam as Mulheres" é um policial bem conseguido, que se lê de um fôlego, apesar das suas cerca de 500 páginas, que cresce em emoção e suspense, tornando impossível abandoná-lo antes do fim. Mas o livro é muito mais do que isso, é uma análise dos mecanismos doentios de mentes distorcidas para quem conceitos como igualdade, tolerância, integração, e outros, não têm qualquer significado. De uma enorme e angustiante actualidade e lucidez, este thriller implacável vem trazer-nos à memória monstruosidades mais e menos recentes, com as quais não parece ser possível deixarmos de tropeçar, para nossa estupefacção e horror.
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A primeira fase da série "Millenium" está já a ser adaptada ao cinema. Michael Nyqvist e Noomi Rapace interpretam os papéis respectivamente de Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander. O primeiro filme da triologia, "Os Homens que Odeiam as Mulheres" é realizado por Niels Arden Oplev, um realizador dinamarquês e a estreia está prevista para 2009.
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terça-feira, julho 29, 2008

AINDA A TERCEIRA

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Em Praia da Vitória o tempo é nosso aliado e ensina-nos coisas que já tínhamos esquecido. Infiltra-se debaixo da pele, de uma forma voluptuosa e insinuante. Cor, muito azul, o mar lânguido, chuva às vezes, mas que mal tem isso? O tempo é morno e doce, demora-se, faz-se valer, faz durar mais o azul, a tranquilidade, o encantamento das ilhas. Quando damos por nós, já não podemos fugir. Lembramo-nos de Corto Maltese, de encontros e desencontros, de aviões que partem, de Bogart em Casablanca (que não tem nada a ver com ilhas), de ilusões, de encantamentos, de uma música distante, talvez um piano ou um trompete. Estamos em Praia da Vitória e era bom que pudessemos ficar mais um bocadinho. Até ao próximo avião.

ANGRA DO HEROÍSMO

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É na Terceira. E a Terceira é nos Açores. E Açores é Portugal. E tem ainda mais ilhas. E andamos nós a fazer turismo lá fora!
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terça-feira, julho 15, 2008

WILD (MODERADAMENTE) LIFE

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Não foi com o Clive Owen, afinal, mas foi fim de semana. O Mário regressou de férias, o que teve como consequência Jardim Zoológico e Panda do Kung Fu. Todo um programa! Agora que a minha amiga Olga (salvo seja) já deve ter ultrapassado a sua fase de part-férias compulsivas à beira mar plantadas (eu também tive a minha dose, e estava lindo, o mar azul da Arrábida) foi a minha vez de enfrentar essa instituição maravilhosa que também faz parte da nossa cultura e que se chama "visita-ao-Zoo-infestado-de-famílias-numerosas-em-fim-de-semana-de-verão".

Começa cedo, porque no aproveitar é que está o ganho. A fila tem já uns metros quando chegamos - e o Mário é madrugador! - mas avança rapidamente. Distribuem-se os primeiros tabefes do dia e assinalam-se os primeiros bonés perdidos ("Então tu não viste que o menino não tinha o boné, carago?! Pra que raio é que tu serves, homem?").

O pessoal que controla as entradas deve ter feito um estágio com as feras porque ataca os visitantes não só verbalmente como com murros nas divisórias de vidro quando os interlocutores não compreendem rapidamente mensagens tão concretas como: "É claro que os passes gratuitos têm de ser carimbados, ou acha que é entrar, passar os passes cá para fora e entrar mais gente com o mesmo passe?! Isso é que era bom!".

Nós não temos passe. O Mário ainda tem desconto e eu ainda não. O Jardim está resplandecente neste sábado azul. Os visitantes exultam com as graças dos símios, com o porte majestoso das feras, com a indiferença dos camelos, com a altitude das girafas. Na Quintinha as crianças podem mesmo tocar nos animais. O porco vietnamita tem muito êxito: "Já viste, parece o Gonçalves! Continuas benfiquista, ó Gonçalves?" As pachorrentas tartarugas oferecem a carapaça rugosa à curiosidade dos dedos pequenos: "Ruben Marcelo, tem cuidado, filho, que o animal não tem raçocíno!"

Chegada a hora do almoço é a corrida aos restaurantes a deitar por fora de gente, de gritos, de cadeirinhas de bebé maxi-confort, supermaxiconfort e outros rolls-royce da engenharia moderna. Comunicações nervosas pelos telemóveis estabelecem planos de ataque: "Ficas nessa, que eu fico aqui. O que arranjar mesa primeiro, apanha-a!".

Opção de recurso: MacDonalds. O Mário, virgem de Mac até há uma semana, já sabe: "Quero o happy-meal com o Panda!" Ele e mais algumas centenas. As avós servem para isso mesmo: transgredir onde o fundamentalismo materno esbarra. Ah, mas com sumo de laranja e maçã à sobremesa, claro!

Ao fim do dia, O Panda do Kung-Fu, agora no cinema de um centro comercial porque fim de semana não é fim de semana sem centro comercial. Toda a gente sabe, não é?

No domingo, Festival de Teatro de Almada com Peer Gynt em versão Berliner Ensemble. Mas isso já é outra conversa!

Claro que o Clive Owen vai ter de esperar. Uma mulher não é de ferro.

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quarta-feira, julho 09, 2008

TRABALHO E EMPREGO

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Durante uma grande parte da minha vida tive empregos. Não muitos, que nesse tempo os empregos mantinham-se durante longos anos, mas alguns. Tive o enorme privilégio de fazer o que gostava, com pessoas de quem gostava. O que teve como consequência que o trabalho fosse efectivamente um prazer. Uns dias mais prazer do que outros mas, generalizando, um prazer.
Agora não tenho emprego, mas continuo a ter trabalho. E ter trabalho sem emprego é uma coisa muito cansativa. Fazem falta algumas das coisas maravilhosas dos empregos, nomeadamente: o fim de semana, a sexta-feira (que no Brasil é uma instituição muito mais saudada do que cá), as 18 horas, o patrão (sempre útil), a pausa para o café, a hora de almoço, os colegas.
Por outro lado, há que ter em conta as vantagens de não ter emprego: ter fim de semana quando se quer, não ter segundas-feiras, não ter patrão, não ser obrigado a tomar café para fazer uma pausa. A questão mais profunda põe-se quando se avalia o volume de trabalho. No emprego, quando o volume de trabalho é excessivo, diz-se que não dá e que é preciso arranjar mais uma pessoa. Quando não se tem emprego, vai-se somando trabalho atrás de trabalho, sem consciência do monte que cresce ao lado do computador. Então lá vem o dia em que é indispensável pôr a escrita (literalmente) em dia e, após umas semanas de loucura, entra-se numa sexta-feira que leva a um fim de semana sem fim. Até à próxima segunda-feira que se instala para ficar.

Estou de fim de semana! O Clive Owen não tem nada a ver com o assunto, mas faz parte de qualquer fim de semana digno desse nome.
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sábado, junho 21, 2008

BRASIL DE HAVAIANAS NOS PÉS

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BRASIL A CORES
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Uma vez mais, o Brasil, mais exactamente, Goiás, que é terra de FICA - ou seja: Festival Internacional de Cinema de Ambiente.
Mas, para os mais curiosos do que se passa por apetece-me deixar imagens aqui
Também uma vez mais, "com açúcar, com afecto", o Brasil terra de Chico, de Bethânia, de Amado, de Jobim e Vinicius, de samba, bossa-nova, Pelé (e dizem-me que, sobretudo, Garrincha); a terra verde-e-amarelo da fantasia de Verão de qualquer português que se preze, terra de português doce e meloso que vai resistir a qualquer acordo ortográfico, de tal forma muda ao sabor da disposição do momento; a terra desse fenómeno que se chama Havaianas.
Sim, porque sempre que digo que vou ao Brasil, alguém me pede de imediato "Traz-me umas Havaianas!". Não sei porquê, sinceramente, mas trago. Chego mesmo a trazer o fundo da mala forrado de Havaianas. Creio que é um gesto de ternura, diferente do que se fosse ali ao Corte Inglês e comprasse as mesmas Havaianas, que as há de todas as cores, feitios e isso. Mas não vinham do Brasil.
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Devido a essa popularidade alucinante das Havaianas, fico um pouco surpreendida ao verificar que todos os anos a marca lança a sua campanha publicitária (assinada, creio que sempre, pela BBDO). Eu estava convencida que as havaianas se vendem por si, sem publicidade, mas pelos vistos isso não é verdade. Por isso aqui deixo a campanha deste ano (do Verão passado, claro, que já foi). É tão gostosa como as próprias.
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BRASIL A PRETO E BRANCO
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Mas o Brasil não é só cor. A preto e branco, magnífico, belíssimo, comovente, genial, o filme "SANTIAGO" de João Salles. Indispensável. Não digo "brevemente num cinema perto de si" porque isso é altamente improvável, mas tenho pena.
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quarta-feira, junho 04, 2008

MEL FERRER EM PAZ

Morreu no dia 2 de Junho. Era um actor discreto. Foi casado com Audrey Hepburn. Recordamo-lo essencialmente em Guerra e Paz. Morreu aos 90 anos e, segundo as notícias, rodeado da família e dos amigos. Em paz, portanto.

quinta-feira, maio 29, 2008

GUIA DOS TEATROS - PRÉMIOS DE TEATRO


Os premiados

Frederico Corado abre a sessão

A sessão foi apresentada por Victor de Sousa e Cátia Garcia

Juvenal Garcês e Beatriz Batarda assinam o cartaz dos Prémios de Teatro Guia dos Teatros 2008

A entrega dos prémios do Guia dos Teatros decorreu no dia 26 de Maio, no Museu do Teatro, em Lisboa. Foi uma daquelas sessões em que subitamente nos passa pela cabeça: "E se isto de repente explodisse? Acabava o teatro em Portugal!" Os melhores estavam lá. E foi uma sessão lindíssima, comovente, de uma simplicidade e autenticidade... mas para que estou eu aqui a gastar o meu latim? Cliquem e fiquem a saber tudo. Depois cliquem em cada um dos filmezinhos (na coluna da direita) e ouçam Beatriz Batarda, São José Lapa, Maria do Céu Guerra, Luis Miguel Cintra, Filipe La Féria, Bruno Schiapa e todos os outros expressarem, nas suas próprias palavras, o que todos nós sentimos. Resta-nos esperar que daqui a um ano a magia se repita e desejar longa vida ao Guia dos Teatros.


(fotos de Pedro Soares)

AINDA MARLON BRANDO








Darwin Porter, autor da polémica biografia Brando Unzipped, parece ter encontrado, nas suas pesquisas, um teste que Marlon fez em 1947 para uma eventual versão do filme Rebel Without a Cause, que só viria a ser feito oito anos depois por outra lenda do cinema americano, James Dean. Consta que Marlon, que na época só aparecera ainda na versão teatral de A Streetcar Named Desire, na Broadway, terá recusado o papel por não se querer comprometer com um contrato de sete anos de exclusividade com o estúdio. A ter sido feito, o filme teria assinalado a estreia do então pouco mais do que adolescente Marlon no cinema.
Este teste de cinco minutos foi recentemente incluído como um extra no DVD de A Streetcar Named Desire editado pela Warner.

A CULPA É DELE

Ele foi considerado (e é verdade!) um dos homens mais bonitos do mundo. Ele foi um dos mais talentosos actores de Hollywood. Ele foi um dos maiores sex symbols da América. Ele foi um dos seres humanos mais controversos sob o ponto de vista da moral convencional. Nos últimos tempos ele monopolizou completamente a minha atenção, o meu tempo, os meus recursos. Hoje, Brando à parte e missão cumprida, regresso ao convívio da blogosfera. Espero que os meus fiéis continuem a privilegiarem-me com a vossa visita porque (diria o José Carlos Malato) isto sem vocês não tem graça nenhuma!

domingo, abril 27, 2008

HOJE ESTÁ SOL

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"When the first baby laughed for the first time, the laugh broke into a thousand pieces and they all went skipping about, and that was the beginning of fairies." (J. M. Barrie - Peter Pan)

terça-feira, abril 15, 2008

ESTE É PARA A ISABEL VICTOR


Goiás. A casa de Cora Coralina.

EU VI UM SAPO - ISTO NÃO É PUBLICIDADE

O Sapo até é um tipo simpático. Às vezes ordinarote, pouco cavalheiro, machista, mas enfim, simpático.
Eu até tenho o Sapo ADSL e nem me queixo. Cumpre. Mas quando vou a blogs amigos que são "sapo" fico num desespero que só visto.
É que quando uma amiga de longa data com a qual a única forma de comunicação é blogas tu, blogo eu, se espanta com os sinais evidentes da passagem do tempo e eu lhe quero deixar um comentário simples e anódino, que não constitui qualquer ameaça à sua integridade física ou mental (tipo: "O homem é o Frederico... verdade! Não ficou mal acabado. E dentro da cabecita também se salva!") aparece-me a barreira da mais perfeita guardarepublicanice que trava os meus impulsos, exigindo sei lá o quê. Eu digo, com bons modos: "olhe, tenho o b.i., o número de contribuinte, o nib, o número do cartão de utente, o código de acesso ao site das finanças, o código do multibanco, do cartão de crédito, do cartão da fnac, o pin, o puk... não?... a password?... serve?...não?" E pronto, desisto! O que é engraçado é que já consegui vencer a barreira uma vez ou duas, mas acho que "eles" estavam desatentos... ou eu estou a perder qualidades.
Ó sapo!!! Aos meus amigos, não, vá lá... é só um comentário. Vá lá, deixa... eu gosto de ti! Não é por mim, é por ela... pode ser?

domingo, abril 13, 2008

1959. S. MARTINHO DO PORTO

ARTUR MAURÍCIO 1944-2008

Eduardo Prado Coelho, Artur Maurício, José Manuel Anes. Gritavam ao vento que eram a tróica que ia mudar o pensamento em Portugal. Como testemunha, o mar de S. Martinho. S. Martinho mudou muito, o pensamento em Portugal vai ficando mais pobre. Só o mar continua o mesmo.

quinta-feira, março 27, 2008

DIA MUNDIAL DO TEATRO

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Veja aqui a mensagem do Dia Mundial do Teatro.
E, se puder, vá ao teatro. Se não puder, faça o impensável para, mesmo assim, ir ao teatro. Se de todo em todo isso for impossível (se os miúdos estiverem com escarlatina e for dia de greve geral das baby sitters revoltadas contra a política da educação, ou se a sua cadela estiver em trabalho de parto e o veterinário tiver tirado o dia para ir ao teatro), prometa que amanhã vai ao teatro. Diga aos seus amigos para irem ao teatro. O teatro precisa de todos. E ir ao teatro é muito bom!
Um bom Dia do Teatro para si também!