sexta-feira, abril 06, 2007

81. PÁSCOA FELIZ!

O coelho foi retirado de um site exclusivamente dedicado ao tema "coelhos a bocejar". Espero sinceramente que vos pareça tão fascinante quanto me pareceu a mim. Uma boa Páscoa!

quarta-feira, abril 04, 2007

78. HOUVE O TEMPO

Houve o tempo em que os jardins eram livres e as pessoas os utilizavam sempre que lhes apetecia. As portas estavam abertas. As piscinas animavam-se com os risos das crianças e os splashes das águas, que se agitavam com as suas brincadeiras. Sentados nas cadeiras de verga, os adultos observavam os seus jogos, relaxavam, apanhavam sol, liam, ouviam música ou deixavam simplesmente o tempo escoar-se por entre os dedos entreabertos e preguiçosos.
Houve o tempo em que os jardins eram permitidos, sem condições.

terça-feira, abril 03, 2007

77. HOJE


Vou partir em busca do carneiro selvagem. Isto, claro está, depois de ver dois (ou talvez três, quem sabe) episódios de Prison Break.

domingo, abril 01, 2007

76. POR QUE GOSTO DE CINEMA # 5

75. PRIMAVERA

Todos os anos ela faz isto. Ainda mal se anuncia a Primavera, ela desponta em flores. Sem dizer nada, sem exigir nada em troca. Por pura generosidade. Faz isto há anos. Nunca falha. Não é para se exibir. Não se ofende se não lhe dissermos nada, se não lhe ligarmos importância. Quanto muito poderá fazer florir mais uma haste, com a mesma generosidade e boa vontade com que nos deu esta. Pode ser que a gente repare na segunda, se por acaso ignorámos a primeira. Já chegou ao ponto de fazer florir quatro hastes numa só Primavera. Desinteressadamente. Mas, bem lá no fundo, ela sabe que lhe agradecemos e que a Primavera já não nos saberia a nada sem as suas flores. Ela sabe que num só vaso contém toda a beleza dos jardins míticos, que é imensa e deslumbrante. A única coisa que pede é um pouco de água. Mas eu pensei que ela ficaria feliz se lhe dedicasse um post. Acho que é o mínimo que posso fazer. E pronto.

terça-feira, março 27, 2007

74. LIBERDADE

Foto de manHa


Liberté


Sur mes cahiers d'écolier

Sur mon pupitre et les arbres

Sur le sable de neige

J'écris ton nom

Sur les pages lues

Sur toutes les pages blanches

Pierre sang papier ou cendre

J'écris ton nom

Sur les images dorées

Sur les armes des guerriers

Sur la couronne des rois

J'écris ton nom

Sur la jungle et le désert

Sur les nids sur les genêts

Sur l'écho de mon enfance

J'écris ton nom

Sur tous mes chiffons d'azur

Sur l'étang soleil moisi

Sur le lac lune vivante

J'écris ton nom

Sur les champs sur l'horizon

Sur les ailes des oiseaux

Et sur le moulin des ombres

J'écris ton nom

Sur chaque bouffées d'aurore

Sur la mer sur les bateaux

Sur la montagne démente

J'écris ton nom

Sur la mousse des nuages

Sur les sueurs de l'orages

Sur la pluie épaisse et fade

J'écris ton nom

Sur les formes scintillantes

Sur les cloches des couleurs

Sur la vérité physique

J'écris ton nom

Sur les sentiers éveillés

Sur les routes déployées

Sur les places qui débordent

J'écris ton nom

Sur la lampe qui s'allume

Sur la lampe qui s'éteint

Sur mes raisons réunies

J'écris ton nom

Sur le fruit coupé en deux

Du miroir et de ma chambre

Sur mon lit coquille vide

J'écris ton nom

Sur mon chien gourmand et tendre

Sur ses oreilles dressées

Sur sa patte maladroite

J'écris ton nom

Sur le tremplin de ma porte

Sur les objets familiers

Sur le flot du feu béni

J'écris ton nom

Sur toute chair accordée

Sur le front de mes amis

Sur chaque main qui se tend

J'écris ton nom

Sur la vitre des surprises

Sur les lèvres attendries

Bien au-dessus du silence

J'écris ton nom

Sur mes refuges détruits

Sur mes phares écroulés

Sur les murs de mon ennui

J'écris ton nom

Sur l'absence sans désir

Sur la solitude nue

Sur les marches de la mort

J'écris ton nom

Sur la santé revenue

Sur le risque disparu

Sur l'espoir sans souvenir

J'écris ton nom

Et par le pouvoir d'un mot

Je recommence ma vie

Je suis né pour te connaître

Pour te nommer

Liberté.


Paul Eluard

in Poésies et vérités 1942

domingo, março 11, 2007

66. COISAS DE QUE NÃO TENHO SAUDADES 1


Liceu D. Filipa de Lencastre. Aqui, antigo 3º ano (7º actual?). Bata branca, abotoada nas costas (raras excepções). Emblema do liceu no lado esquerdo da bata, emblema da Mocidade Portuguesa no lado direito (em caso de extravio, falta de castigo). Calças, proibido; mangas curtas, proibido; bata sem cinto, proibido.

sexta-feira, março 09, 2007

64. PARABÉNS! PARABÉNS!

Parabéns à RTP, que fez cinquenta anos! Eu sei que me atrasei, mas tudo bem, ainda vou a tempo.
Eu gosto da RTP. Temos ambas Portugal no coração. Foi bom ver que a nossa televisão, de todos nós, ao entrar na idade das "primeiras" rugas conseguiu levantar cabeça e ressurgir, rejuvenescida, cheia de vigor. Todos nos regozijamos com isso.
E, contudo, vejo uma sombra toldar esse regozijo. Vejo ânimos um pouco agitados. Vejo corações magoados no seu orgulho nacional. Engraçado verificar que em Portugal não há fome que não dê em fartura. Passado o tempo de nos envergonharmos de tudo o que era portugês, chegou a época de empunharmos a bandeira do nacionalismo. Ora ainda bem! Melhor assim.
Contudo, neste momento, não percebo bem as razões.
Tudo se deu por causa de uma coincidência de datas na transmissão de dois programas televisivos.
Na RTP 1 era exibida a gala dos 50 anos. Normal, visto que era o dia do aniversário. Na TVI era transmitida uma outra gala, esta da eleição das 7 Maravilhas do Mundo. A data? 7 de Março, tal como vai ser a 7-7 a transmissão da final. De 2007, pois. A organização do acontecimento escolheu o dia por ser 7.
E pronto. Havia duas galas, é verdade. À mesma hora, no mesmo dia. Qual é o problema? Ainda vamos tendo público para encher a deitar por fora o Campo Pequeno e o Coliseu. Cerca da meia noite, Lisboa era uma festa. O fluxo de trânsito que vinha das Portas de Santo Antão juntou-se ao que saía do Campo Pequeno. Alguns encontraram-se a meio caminho, no Galeto, e trocaram impressões. Viste? Vi. Gostaste? Gostei. E tu? Hum... assim, assim.
Era de festa, o ambiente. Uns gostaram mais disto, outros daquilo. Felizmente os gostos não são iguais e a opinião é livre.
Nada me levava a crer que uma inquietação bem diferente alastrava por aí. "Os sacanas da TVI fizeram isto para lixar a RTP", chegou-me aos ouvidos.
Lixar? Porquê? Somos um país pequenino, mas temos público suficientemente adulto para saber optar pelo programa que mais lhe interessa. Ninguém lixou ninguém. Aliás, se alguém ficou prejudicado, foi a TVI, cujas audências para um programa daqueles poderiam ter sido infinitamente maiores se não coincidisse com a festa da RTP. Assim, foi batida pelo 1º canal em dia de celebrações contínuas. Como aliás era fácil de prever: os 50 anos da televisão nacional é tema do interesse de um público muito mais vasto, espalhado por esse país fora, do que a eleição de algo um pouco vago que dá pelo nome de 7 maravilhas do mundo. De um lado o público tinha a oportunidade de rever as velhas glórias que são a nossa memória colectiva, ao longo dos últimos 50 anos, do outro lado, podia assitir a um espectáculo sobre os monumentos do mundo dignos de se baterem pelo título de maravilhas.
Não há concorrência.
Para além disso, em que é que isso prejudica o espectador? Para já, não vai certamente tardar em poder assitir ao programa que deixou de ver (seja ele qual for) e que será certamente , como é hábito, repetido no fim de semana, de manhã, à tarde, à noite e até ninguém o poder já aguentar. Por outro lado, ninguém o impediu de ver fosse o que fosse: deram-lhe a escolher. E ele escolheu livremente.
Eu vi (ao vivo e a cores) o programa do Campo Pequeno e gostei. Gostei mesmo muito. Não sei se na televisão resultou da mesma forma, é possível que sim, ou que não. Mas penso rever.
Não vi o da RTP, portanto não sei se gosto ou não. Mas espero também vir a ver.
Não creio que sejam programas para se comparar, são dois espectáculos, cada um no seu género. Parabéns à RTP, que é a menina dos anos e parabéns à TVI e ao La Féria que nos proporcionaram uma noite de entretenimento absolutamente inesquecível, seja em que parte for do mundo.
Provavelmente terão até sido dois bons espectáculos. Mas, por muito festivos que sejam os acontecimentos que lhes deram origem, não passam de programas de televisão.
Nem tudo tem de ser o Benfica-Sporting!
No dia 7-7-07 vai ser a final das 7 Maravilhas. Acho que não vou assitir... é no estádio do Benfica e cá por casa as tendências são predominantemente verdes.

quarta-feira, março 07, 2007

63. POR QUE GOSTO DE CINEMA # 3

62. COISAS DE QUE TENHO SAUDADES III

Eu nasci no Bairro Alto. Não é a mesma coisa do que nascer em Lisboa. É muito mais. Nasci no Bairro Alto, portanto. Não no BA, como quiseram a uma dada altura chamar-lhe, nem no Bairro, como efectivamente lhe chamam. Não. No Bairro Alto, exactamente.
Havia o Conservatório, mesmo em frente da minha casa, havia as velhas instalações onde todos os dias explodiam para a rua os jornais – de manhã o Século, à tarde o Diário de Lisboa, a República, a Capital – havia o Hospital de São Luís dos Franceses, o elevador da Glória, S. Pedro de Alcântara, o Príncipe Real. Ao lado da minha casa vivia o António Ferro e a Fernanda de Castro. Das janelas que davam para as minhas, o Bernardo Marques desenhava as varinas e os gatos do nosso bairro e a Ofélia Marques iria lançar-se um dia ao encontro da morte.
Tenho saudades desse Bairro Alto. E tenho saudades de ouvir o meu avô contar as histórias de um Bairro Alto muito mais antigo, que ele próprio recordava com saudade. Porque o meu avô era do Bairro Alto, tal como a minha avó e o meu pai. Com nome em tabuleta de estabelecimento reputado, para que não restassem dúvidas. Marcenaria 1º de Dezembro. Que eu já só conheci na saudade do meu avô.

O meu avô era, portanto, um lisboeta, um alfacinha, nado e criado no Bairro Alto, bairrista e cheio de pergaminhos. Figura à António Silva, gestos à António Silva, humor à António Silva, o meu avô passara as noites da sua juventude a divertir-se nos teatros, na ópera e na revista, e a saciar o seu jovem apetite no Tavares e no Marrare. Uma vez por outra, aos domingos, a família saía de Lisboa, para fazer piqueniques e burricadas no Campo Pequeno. Nos meses de Verão retiravam-se para Queluz, para trocarem os ares pesados da cidade pelos ares livres de poluição da província.
Tenho saudades de ouvir o meu avô contar como era essa Lisboa de carruagens, tipóias, cavalos, camarotes no teatro, noites na ópera, cocheiros, trintanários e lavadeiras que iam buscar a trouxa para lavar a roupa no rio, em Caneças. Tenho saudades da sua saudade dos tempos de jovem artista, aluno de Belas Artes, livre, desocupado, amante da boémia, de Sevilha, de zarzuelas e das espanholas. Quando a vida ainda era fácil e amena. Saudades da forma como ele falava da minha avó, sua noiva menina de quinze anos - não havia rapariga mais bonita em Lisboa - paixão incondicional para sempre, até que a morte os separasse.

Tenho saudades de ir pela mão do meu avô pela Rua da Rosa e senti-lo abrandar o passo, demorar-se mais. Era aqui. Rua da Rosa, 168.

61. eva armisén dixit


segunda-feira, fevereiro 19, 2007

57. ALEXANDRE O'NEILL

O Público, a propósito da publicação de Alexandre O'Neill, Uma Biografia Literária, de Maria Antónia Oliveira, oferece-nos na sua edição on-line um diaporama realizado sobre fotografias de O'Neill, com banda sonora que inclui um poema dito pelo próprio. É um pequeno mas interessante trabalho (bem) feito a partir de uma entrevista de Isabel Coutinho a Maria Antónia Oliveira, que saiu no último (que por acaso foi o primeiro) número do (excelente) Ipsilon. Quem não leu, pode ler em www.publico.pt Em qualquer dos casos, tenha ou não lido, o diaporama merece uma visita. E vale sempre a pena conhecer melhor o O'Neill.

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill

sábado, fevereiro 17, 2007

56. RAUL SOLNADO by Teresa Sá

A fotografia é da Teresa Sá, que é uma excelente fotógrafa e faz o favor de ser minha amiga. Fui roubar a foto ao seu magnífico site http://www.lilacdays.com e espero que ela não se importe.
O modelo é o Raul de todos nós, neste caso dos que quieserem estar presentes na iniciativa que foi lançada pelo Lauro António no seu http://vava-diando.blogspot.com.
É de não perder. O Raul Solnado é um conversador genial, é um homem profundamente inteligente, um apreciador incondicional da vida, de uma sensibilidade grande como o mundo e uma capacidade descomunal de ser amigo. Presença indispensável na minha (a única cuja legitimidade reconheço) lista de "grandes portugueses".

55. COISAS DE QUE TENHO SAUDADES II

O Grupo do Leão - Columbano - Museu do Chiado

Quando os meus pais iam viajar, eu ficava triste. A casa ficava subitamente muito grande e os relógios tornavam-se inúteis porque não havia a hora do meu pai chegar.
Então os meus avós inventavam para mim a alegria. E a alegria era feita de coisas de que tenho saudades. Muitas saudades.
Tenho saudades de ir jantar ao Leão d’Ouro. Era um bom restaurante antigo, na Rua 1º de Dezembro. E não quero saber se hoje é um rodízio muito bom, farei os possíveis por não passar à porta. Tenho saudades das cadeiras enormes e pesadas do Leão d’Ouro, do grande leão dourado à entrada, das toalhas brancas de um pano adamascado e sem mácula, da sensação de uma certa humidade nos guardanapos. Tenho saudades dos salmonetes grelhados, com molho de manteiga e limão a espremer, do Leão d’Ouro. E não quero sequer saber se os que se comem hoje em Setúbal, a preço de ourivesaria, são tão bons ou melhores ainda. É dos salmonetes grelhados do Leão d’Ouro que eu tenho saudades. Tenho saudades de ouvir o meu avô dizer-me que dantes se reunia ali o Grupo do Leão, quando aquilo era ainda uma cervejaria. Eu não sabia quem era o Malhoa, o Columbano ou o Rafael Bordalo Pinheiro, mas sabia que, para o meu avô me falar neles, era gente importante e boa.

Fotografia emprestada de: catedral.2.weblog.com.pt.

Depois vinha o Parque Mayer. E tenho saudades do Parque. As luzes de gato e rato que chamavam a atenção para os nomes de Vasco Santana, Beatriz Costa, Mirita Casimiro, Villaret, o grande António Silva. Tenho saudades dessa sensação de frio no estômago quando me aproximava do teatro, pela mão do meu avô, e olhava lá para cima, para a bilheteira, a pensar que podia estar esgotado. Tenho saudades de não perceber as piadas da revista, mas chegar a casa, pôr uma cartola, e imitar a Mirita Casimiro. Tenho saudades das matinés do Capitólio, onde descobri, ao colo do meu avô, o marxismo, na sua tendência groucho e fiquei incondicional para toda a vida.
Tenho saudades de lanchar na Avenida da Liberdade, aos domingos, na Pastelaria Veneza, e mandar vir uma groselha com água do castelo e um prato de bolos de creme, que ali ficavam, indiferentes aos micróbios, à espera de que comessemos os que queríamos, para os outros voltarem para a mesa de um próximo cliente.
Tenho saudades de adormecer numa cama onde se espalhavam livros, pratas de chocolates e bonecos de papel de lustro.


E de ter a certeza de que no dia seguinte, ou daí a uma semana, vinha o boletineiro entregar um telegrama que dizia “Chego depois de amanhã Sud Expresso. Saudades. M.”

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

54. VINICIUS DE MORAES

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.


Vinicius de Moraes (1913-1980)

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

53. OBRAS DE FACHADA

Fazia-me uma certa falta de ar tanta linha e tanto quadro. Decidi-me por um layout mais simples, mais claro, mas com um cabeçalho feioso. Enfim, não se pode ter tudo. No entanto, como marketingueira que sou, quero saber a opinião dos meus clientes fieis, que é para eles que queremos apresentar o produto final mais atraente. Portanto, vamos lá a saber em que votais; novo layout ou o velho? Não hesite. Dê a sua opinião! Queremos saber!

52. VALENTINE

Passou por aqui o co-fundador deste blog. Obrigada pela visita. Tardou, mas arrecadou. Faz favor de voltar mais vezes. A casa é sua... A chave fica na porta.

51. também DO CORAÇÃO



DOIS POEMAS DE AMOR

I
abro-te o sexo húmido de gozo
como-te a saliva da devassidão
rasgo-te o desejo dos seios à boca
sinto-te inundada de prazer
exposta ao estertor
que cavalga profundo no meu eixo
continua, amor, continua
e deixa-me perdido no teu ventre
até amanhecer para lá da janela
e os pássaros se ouvirem no despertar do dia

II

só para ti:
na colcha escarlate,
o borrão húmido
de amor feito-desfeito
eternamente
LA

50. COM O CORAÇÃO


Depois de termos andado com o coração nas mãos por causa de um fígado, depois de ter o coração partido por coisas que não são para aqui chamadas, depois de ter de admitir que coração e cabeça nem sempre (ou quase nunca) conseguem estar de acordo, depois de me abeirar perigosamente da loucura graças aos demolidores de apartamentos sem coração, chegou o dia de prestar a minha singela homenagem aos corações da minha terra, corações românticos, corações grandes, corações enormes, corações irrealistas, corações singelos, corações fieis, corações de leão, corações de cordeiro, corações ao alto, corações de fado, corações verde-rubros, corações sensíveis, corações generosos, corações volúveis, corações honestos, corações inflamáveis, corações nossos.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

49. SOPA DE PEDRA

Escolhe-se um grupo de emigrantes que reúna ucranianos, cabo-verdianos, angolanos, brasileiros, e o mais que vier à rede, de preferência sem estarem legalizados, e coloca-se-lhe nas mãos berbequins industriais, perfuradoras, martelos pneumáticos e outros instrumentos capazes de provocar destruição maciça.
Acerta-se um relógio despertador para as nove em ponto (da manhã, claro!) e programa-se o bando para entrar em acção na fracção de segundo exacta em que o despertador começar a tocar.
Entrega-se na mão desses energúmenos um apartamento de tamanho XL, de preferência. Deve escolher-se um que tenha por baixo inquilinos, sobretudo se trabalharem em casa e se optarem pelo sossego da noite para o fazer.
Dá-se ordens para não deixarem pedra sobre pedra.

Depois espera-se (duas, três semanas costuma ser o suficiente) para que uma das ditas, de cimento e de tamanho bastante razoável, caia pela chaminé do andar de baixo e vá estatelar-se dentro da panela da sopa.
Há mais receitas de Sopa de Pedra, mas esta é de eficácia garantida e tem o efeito seguro de provocar no inquilino do referido andar de baixo uma reacção de violência grau Zidane.

Vantagem: satisfaz-se o gosto de alguma clientela fiel deste blog.

48. UM PEQUENO QUIZZ

E agora a pergunta para casa. Quem é a menina da foto? Quem acertar ganha um ano de visitas ao detesto sopa, completamente grátis! Boa sorte a todos os concorrentes!

47. PORQUE SIM

Agora já não há desculpas. Desejá-los em consciência, educá-los em responsabilidade. Parabéns a todas as mães e pais porque têm agora uma nova responsabilidade. E só com responsabilidade pode existir liberdade .

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

44. O GATO DE LUCIEN FREUD

Gosto de seguir as sugestões que encontro em http://s-nonblog.blogspot.com/. E uma das últimas levou-me a revisitar o Lucien Freud para lhe pagar mais uma vez o tributo de uma admiração incondicional. Fiquei presa neste quadro que não conhecia ou de que não me lembrava.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

43. HI, QUE SONO QUE ESTÁ HOJE!!!!!!!

Posted by Picasa

42. COISAS DE QUE TENHO SAUDADES I

Tenho saudades do Bairro Alto onde nasci. Da Calçada dos Caetanos, hoje rebaptizada Rua João Pereira da Rosa. Do 3º andar do número 10, mesmo em frente do Conservatório. Tenho saudades dos telhados que avistava das águas furtadas do sótão de minha casa, estendendo-se até ao Tejo. Tenho saudades do sótão, uma gruta secreta onde os piratas cuja existência só eu e os meus primos conhecíamos escondiam tesouros deslumbrantes. Tenho saudades do cheiro a tinta dos jornais, que invadia as ruas ao cair da noite, quando os ardinas corriam a apregoar o Pop’lar, o Lisboa, República, traz o desastre, traz a bola, olhó Pop’lar!

Saudades de sair do eléctrico, na Calçada do Combro, ao colo, e fingir que dormia para subir a rua, cabeça tombada sobre o ombro do meu pai, a fazer cintilar por entre as pestanas semicerradas as luzes da iluminação pública. Saudades do soalho de madeira, mil vezes encerado e sempre brilhante, onde eu brincava à apanhada com os raios de sol; do poial do pote e do pote de barro vidrado, com uma torneirinha metálica muito areada. Saudades da casa dos banhos, onde no ar se condensava a humidade e das toalhas enormes, brancas e felpudas que me enrolavam o corpo quente e preguiçoso, acabado de sair da tina de esmalte. Saudades do Menino, o cão da mercearia, que era meu amigo mas uma vez me mordeu e foi o meu primeiro contacto com uma realidade chamada traição. Saudades das tardes de brincadeira à sombra do cedro do Príncipe Real; das pontes de ferro do Jardim Botânico; de São Pedro de Alcântara. Saudades dos pregões das varinas, ó viva da costa! das mulheres que apregoavam “quem quer figos, quem quer almoçar”, do som das gaitas dos amola tesouras e navalhas (“amanhã vai chover, menina, está a ouvir a gaita?”). Saudades do meu gato Janota, gordo e dourado, dormindo no parapeito da escada. E da escada, onde o armazém de papel no rés-do-chão desafiava todas as normas de segurança e faria o desespero de qualquer corpo de bombeiros. Saudades da mercearia e dos cartuchos de papel grosso, acinzentado, com uma risca fininha lilás, para onde era pesado um quilo de açúcar escuro, tirado do enorme pote de louça ou os 250 gramas de bolacha Maria, a que vinha na caixa que tinha uma menina que estava numa caixa que tinha uma menina que estava numa caixa que etc. Saudades do quarto dos meus avós, de pé direito altíssimo que eu admirava deitada na cama enorme, por entre lençóis brancos, almofadas de rendas e folhos, a cheirar a sabão e flores.
Saudades de esperar à janela, ao cair da noite, que o meu pai chegasse a casa.

sábado, fevereiro 03, 2007

40. ABAIXO AS DIETAS! BASTA!

A Maitena, que é uma mulher inteligente, carregada do mais apurado sentido de humor, tem carradas de razão! Para quê dietas?!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

39. MAGGIE TAYLOR'S DISTRACTED CATS


Estou muito blogueira, hoje, mas isto passa. S., no http://s-nonblog.blogspot.com/ remete para alguns excelentes ilustradores e fotógrafos. Ando a espreitar um por dia porque a minha vida não é só isto. E hoje foi um dia com sinal positivo. Todo o site de Maggie Taylor é um deslumbramento. Obrigada pela dica.

38. MOBY DICK II

Seria injusto não referir que o Herman Melville estava lá na excelente interpretação de Maria Rueff e na personagem e nos excertos de texto que lhe coube interpretar. Justiça seja feita.

37. MOBY DICK

Fui ver a Moby Dick, ao S. Luiz. Encontrei lá o Herman José. Mas o Herman Melville, não. Com muita pena minha.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

35. SEM SOMBRA DE PECADO

É uma sopinha. Chama-se Potato soup with parsley pesto. A receita aparece num site de uma fotógrafa que é um perfeito vulcão de volúpia gastronómica. Chama-se (a dita fotógrafa) Ulrike Oestwind.
Os sádicos das dietas dizem que sopa, obviamente que sim, mas sem batata. É a tirania pura, o fascismo sob a capa das boas intenções. Para mim é sopa e disseram-me que sopa podia - e devia!!! - comer! Portanto, não é pecado.

terça-feira, janeiro 30, 2007

34. A MEMÓRIA TEM (MESMO) MUITA FORÇA

Isto dá pelo nome de Quindim.

Quindim é um doce brasileiro, do Nordeste, que tem como ingredientes gema de ovo, açúcar e coco ralado.

Receita
Ingredientes
300 gr. de açúcar
1 colher de (sopa) de água
100 gr. coco ralado
12 gemas de ovo
1 colher de sopa manteiga
Preparação:
Bata com a batedeira as gemas, a manteiga e o açúcar. Humedeça o coco com água quente e acrescente a mistura acima. Unte as forminhas com bastante manteiga e açúcar e despeje a mistura. Leve ao forno em banho-maria, coberto com papel alumínio.