
domingo, março 11, 2007
66. COISAS DE QUE NÃO TENHO SAUDADES 1

sábado, março 10, 2007
sexta-feira, março 09, 2007
64. PARABÉNS! PARABÉNS!
E, contudo, vejo uma sombra toldar esse regozijo. Vejo ânimos um pouco agitados. Vejo corações magoados no seu orgulho nacional. Engraçado verificar que em Portugal não há fome que não dê em fartura. Passado o tempo de nos envergonharmos de tudo o que era portugês, chegou a época de empunharmos a bandeira do nacionalismo. Ora ainda bem! Melhor assim.
Nem tudo tem de ser o Benfica-Sporting!
quarta-feira, março 07, 2007
62. COISAS DE QUE TENHO SAUDADES III
Havia o Conservatório, mesmo em frente da minha casa, havia as velhas instalações onde todos os dias explodiam para a rua os jornais – de manhã o Século, à tarde o Diário de Lisboa, a República, a Capital – havia o Hospital de São Luís dos Franceses, o elevador da Glória, S. Pedro de Alcântara, o Príncipe Real. Ao lado da minha casa vivia o António Ferro e a Fernanda de Castro. Das janelas que davam para as minhas, o Bernardo Marques desenhava as varinas e os gatos do nosso bairro e a Ofélia Marques iria lançar-se um dia ao encontro da morte.
Tenho saudades desse Bairro Alto. E tenho saudades de ouvir o meu avô contar as histórias de um Bairro Alto muito mais antigo, que ele próprio recordava com saudade. Porque o meu avô era do Bairro Alto, tal como a minha avó e o meu pai. Com nome em tabuleta de estabelecimento reputado, para que não restassem dúvidas. Marcenaria 1º de Dezembro. Que eu já só conheci na saudade do meu avô.

O meu avô era, portanto, um lisboeta, um alfacinha, nado e criado no Bairro Alto, bairrista e cheio de pergaminhos. Figura à António Silva, gestos à António Silva, humor à António Silva, o meu avô passara as noites da sua juventude a divertir-se nos teatros, na ópera e na revista, e a saciar o seu jovem apetite no Tavares e no Marrare. Uma vez por outra, aos domingos, a família saía de Lisboa, para fazer piqueniques e burricadas no Campo Pequeno. Nos meses de Verão retiravam-se para Queluz, para trocarem os ares pesados da cidade pelos ares livres de poluição da província.
Tenho saudades de ouvir o meu avô contar como era essa Lisboa de carruagens, tipóias, cavalos, camarotes no teatro, noites na ópera, cocheiros, trintanários e lavadeiras que iam buscar a trouxa para lavar a roupa no rio, em Caneças. Tenho saudades da sua saudade dos tempos de jovem artista, aluno de Belas Artes, livre, desocupado, amante da boémia, de Sevilha, de zarzuelas e das espanholas. Quando a vida ainda era fácil e amena. Saudades da forma como ele falava da minha avó, sua noiva menina de quinze anos - não havia rapariga mais bonita em Lisboa - paixão incondicional para sempre, até que a morte os separasse.
Tenho saudades de ir pela mão do meu avô pela Rua da Rosa e senti-lo abrandar o passo, demorar-se mais. Era aqui. Rua da Rosa, 168.
domingo, fevereiro 25, 2007
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
57. ALEXANDRE O'NEILL
Mal nos conhecemos sábado, fevereiro 17, 2007
56. RAUL SOLNADO by Teresa Sá
A fotografia é da Teresa Sá, que é uma excelente fotógrafa e faz o favor de ser minha amiga. Fui roubar a foto ao seu magnífico site http://www.lilacdays.com e espero que ela não se importe.O modelo é o Raul de todos nós, neste caso dos que quieserem estar presentes na iniciativa que foi lançada pelo Lauro António no seu http://vava-diando.blogspot.com.
55. COISAS DE QUE TENHO SAUDADES II
Então os meus avós inventavam para mim a alegria. E a alegria era feita de coisas de que tenho saudades. Muitas saudades.
Tenho saudades de ir jantar ao Leão d’Ouro. Era um bom restaurante antigo, na Rua 1º de Dezembro. E não quero saber se hoje é um rodízio muito bom, farei os possíveis por não passar à porta. Tenho saudades das cadeiras enormes e pesadas do Leão d’Ouro, do grande leão dourado à entrada, das toalhas brancas de um pano adamascado e sem mácula, da sensação de uma certa humidade nos guardanapos. Tenho saudades dos salmonetes grelhados, com molho de manteiga e limão a espremer, do Leão d’Ouro. E não quero sequer saber se os que se comem hoje em Setúbal, a preço de ourivesaria, são tão bons ou melhores ainda. É dos salmonetes grelhados do Leão d’Ouro que eu tenho saudades. Tenho saudades de ouvir o meu avô dizer-me que dantes se reunia ali o Grupo do Leão, quando aquilo era ainda uma cervejaria. Eu não sabia quem era o Malhoa, o Columbano ou o Rafael Bordalo Pinheiro, mas sabia que, para o meu avô me falar neles, era gente importante e boa.
Fotografia emprestada de: catedral.2.weblog.com.pt. Tenho saudades de lanchar na Avenida da Liberdade, aos domingos, na Pastelaria Veneza, e mandar vir uma groselha com água do castelo e um prato de bolos de creme, que ali ficavam, indiferentes aos micróbios, à espera de que comessemos os que queríamos, para os outros voltarem para a mesa de um próximo cliente.

E de ter a certeza de que no dia seguinte, ou daí a uma semana, vinha o boletineiro entregar um telegrama que dizia “Chego depois de amanhã Sud Expresso. Saudades. M.”
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
54. VINICIUS DE MORAES
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
Vinicius de Moraes (1913-1980)
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
53. OBRAS DE FACHADA
Fazia-me uma certa falta de ar tanta linha e tanto quadro. Decidi-me por um layout mais simples, mais claro, mas com um cabeçalho feioso. Enfim, não se pode ter tudo. No entanto, como marketingueira que sou, quero saber a opinião dos meus clientes fieis, que é para eles que queremos apresentar o produto final mais atraente. Portanto, vamos lá a saber em que votais; novo layout ou o velho? Não hesite. Dê a sua opinião! Queremos saber!52. VALENTINE
51. também DO CORAÇÃO
I
abro-te o sexo húmido de gozo
como-te a saliva da devassidão
rasgo-te o desejo dos seios à boca
sinto-te inundada de prazer
exposta ao estertor
que cavalga profundo no meu eixo
continua, amor, continua
e deixa-me perdido no teu ventre
até amanhecer para lá da janela
e os pássaros se ouvirem no despertar do dia
II
só para ti:
na colcha escarlate,
o borrão húmido
de amor feito-desfeito
eternamente
50. COM O CORAÇÃO

terça-feira, fevereiro 13, 2007
49. SOPA DE PEDRA
Acerta-se um relógio despertador para as nove em ponto (da manhã, claro!) e programa-se o bando para entrar em acção na fracção de segundo exacta em que o despertador começar a tocar.
Entrega-se na mão desses energúmenos um apartamento de tamanho XL, de preferência. Deve escolher-se um que tenha por baixo inquilinos, sobretudo se trabalharem em casa e se optarem pelo sossego da noite para o fazer.
Dá-se ordens para não deixarem pedra sobre pedra.
Há mais receitas de Sopa de Pedra, mas esta é de eficácia garantida e tem o efeito seguro de provocar no inquilino do referido andar de baixo uma reacção de violência grau Zidane.
Vantagem: satisfaz-se o gosto de alguma clientela fiel deste blog.domingo, fevereiro 11, 2007
45. EM BUSCA DE UM PÚBLICO MAIS JOVEM
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
44. O GATO DE LUCIEN FREUD
Gosto de seguir as sugestões que encontro em http://s-nonblog.blogspot.com/. E uma das últimas levou-me a revisitar o Lucien Freud para lhe pagar mais uma vez o tributo de uma admiração incondicional. Fiquei presa neste quadro que não conhecia ou de que não me lembrava.terça-feira, fevereiro 06, 2007
42. COISAS DE QUE TENHO SAUDADES I

Saudades dos pregões das varinas, ó viva da costa! das mulheres que apregoavam “quem quer figos, quem quer almoçar”, do som das gaitas dos amola tesouras e navalhas (“amanhã vai chover, menina, está a ouvir a gaita?”). Saudades do meu gato Janota, gordo e dourado, dormindo no parapeito da escada. E da escada, onde o armazém de papel no rés-do-chão desafiava todas as normas de segurança e faria o desespero de qualquer corpo de bombeiros. Saudades da mercearia e dos cartuchos de papel grosso, acinzentado, com uma risca fininha lilás, para onde era pesado um quilo de açúcar escuro, tirado do enorme pote de louça ou os 250 gramas de bolacha Maria, a que vinha na caixa que tinha uma menina que estava numa caixa que tinha uma menina que estava numa caixa que etc. Saudades do quarto dos meus avós, de pé direito altíssimo que eu admirava deitada na cama enorme, por entre lençóis brancos, almofadas de rendas e folhos, a cheirar a sabão e flores.
Saudades de esperar à janela, ao cair da noite, que o meu pai chegasse a casa.domingo, fevereiro 04, 2007
sábado, fevereiro 03, 2007
40. ABAIXO AS DIETAS! BASTA!
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
39. MAGGIE TAYLOR'S DISTRACTED CATS

38. MOBY DICK II
37. MOBY DICK
Fui ver a Moby Dick, ao S. Luiz. Encontrei lá o Herman José. Mas o Herman Melville, não. Com muita pena minha.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
35. SEM SOMBRA DE PECADO
É uma sopinha. Chama-se Potato soup with parsley pesto. A receita aparece num site de uma fotógrafa que é um perfeito vulcão de volúpia gastronómica. Chama-se (a dita fotógrafa) Ulrike Oestwind.Os sádicos das dietas dizem que sopa, obviamente que sim, mas sem batata. É a tirania pura, o fascismo sob a capa das boas intenções. Para mim é sopa e disseram-me que sopa podia - e devia!!! - comer! Portanto, não é pecado.
terça-feira, janeiro 30, 2007
34. A MEMÓRIA TEM (MESMO) MUITA FORÇA
Isto dá pelo nome de Quindim.Receita
Ingredientes
300 gr. de açúcar
1 colher de (sopa) de água
100 gr. coco ralado
12 gemas de ovo
1 colher de sopa manteiga
Preparação:
Bata com a batedeira as gemas, a manteiga e o açúcar. Humedeça o coco com água quente e acrescente a mistura acima. Unte as forminhas com bastante manteiga e açúcar e despeje a mistura. Leve ao forno em banho-maria, coberto com papel alumínio.
33. A MEMÓRIA É UMA COISA PERSISTENTE
Em Seia, na Serra da Estrela, existe a ESTTS - Escola Superior de Turismo e Telecomunicações de Seia -, um polo do Instituto Politécnico da Guarda. Na ESTTS a Licenciatura em Gestão Hoteleira, que tem a duração de 3 anos, "pretende preparar profissionais altamente qualificados para desempenhar funções de administração e gestão nas empresas da hotelaria e da restauração" - informa-nos o folheto. As saídas profissionais são múltiplas e aliciantes: director de hotel, director de alojamento, chefe de recepção, director de alimentação e bebidas, chefe de serviços, director comercial e de marketing, promotor de vendas, responsável de animação, entre outros.
























