Fui ver a Moby Dick, ao S. Luiz. Encontrei lá o Herman José. Mas o Herman Melville, não. Com muita pena minha.
Fui ver a Moby Dick, ao S. Luiz. Encontrei lá o Herman José. Mas o Herman Melville, não. Com muita pena minha.
É uma sopinha. Chama-se Potato soup with parsley pesto. A receita aparece num site de uma fotógrafa que é um perfeito vulcão de volúpia gastronómica. Chama-se (a dita fotógrafa) Ulrike Oestwind.
Isto dá pelo nome de Quindim.
Em Seia, na Serra da Estrela, existe a ESTTS - Escola Superior de Turismo e Telecomunicações de Seia -, um polo do Instituto Politécnico da Guarda. Na ESTTS a Licenciatura em Gestão Hoteleira, que tem a duração de 3 anos, "pretende preparar profissionais altamente qualificados para desempenhar funções de administração e gestão nas empresas da hotelaria e da restauração" - informa-nos o folheto. As saídas profissionais são múltiplas e aliciantes: director de hotel, director de alojamento, chefe de recepção, director de alimentação e bebidas, chefe de serviços, director comercial e de marketing, promotor de vendas, responsável de animação, entre outros.
A good cook knows as many soup recipes as the year has days
Franziska Baumann: voz. Jürg Solothurnmann: soprano e alto sax. Christoph Baumann: piano.
O trio Potage du Jour foi formado em 1999 após uma empolgante sessão de improviso. Desde então ninguém sabe prever quais vão ser os ingredientes da próxima sopa. A receita está constantemente a mudar e depende das suas experiências noutras "cozinhas" tais como música clássica moderna, jazz, salsa, música de teatro ou cinema, electrónica ou outras. O álbum Potage du Jour foi editado em 2005.

Era bonito, mas o problema surge quando se revela que os súbditos de suas magestades já não são tão inocentes como eram e já ouviram falar em photoshop. E foi uma chuva de comentários mais ou menos sarcásticos e desrespeitadores da dignidade real: que o monarca não tinha pernas, que à neta mais velha tinham sido amputados os bracinhos, que a herdeira real "pairava" sobre a imagem da real avó e a neta do meio tinha aterrado de forma um pouco desajeitada no colo do mano mais velho, vinda directamente de uma muito divulgada foto das férias reais, com um vestidinho de verão que destoava das roupinhas mais invernosas dos restantes reais netos.
iHola! iHola! Foi o escândalo! Então os monarcas não conseguiam sequer reunir as criancinhas para uma foto? Correram rios de tinta. Escandalizaram-se uns, partiram-se a rir outros. Porsupuesto.
Por isso este ano, para não criar polémicas indesejáveis em época de paz e harmonia, os reis, Juan Carlos e Doña Sofia, optaram por uma solução menos ternurenta mas também menos perigosa. E tomem lá, fiéis súbditos, sem photoshop, ao natural e a cores, o palácio da Zarzuela sob a neve da estação.

E façam o favor de ter muito boas festas e de não chatearem!
A sua beleza deslumbrou-o. Nunca ela estivera tão resplandescente. Desceu a escada lentamente, segura de si. Segura das suas formas, que o vestido de veludo vermelho mais revelava do que cobria. Segura do brilho do seu cabelo , castanho muito escuro, suavemente ondulado, espalhado pelos ombros numa liberdade estudada. Segura dos gestos provocantes, do vagaroso descer de cada degrau, desafinado a paciência dele, num maldoso jogo de gato e rato com o seu desejo. Segura do porte altivo dos seus seios que o decote descobria, firmes e cheios. Segura do poder quase infinito sobre aquele homem poderoso que mantinha perante a sociedade uma tão impenetrável fachada de altivez e indiferença e que agora ali estava, ao fundo da escada, suspenso dos seus gestos. Fitou-o com olhar lânguido, entreabrindo a boca de um vermelho de cereja madura e descobrindo uma impecável fileira de dentes imaculados...
Nem mesmo a ameaça de um prato de sopa de feijão - é verdade, a mais abominável de entre todas as abomináveis - me dissuadiria. Eu faria fosse o que que fosse para a ter!
A escola primária, que eu frequentava pela primeira vez, ficava numa moradia de dois andares, com jardinzinho ao lado, protegido por um gradeamento de ferro pintado de verde, na Rua Praia da Vitória, mesmo a desembocar no Saldanha. Do outro lado da praça, o Monumental exibia cartazes de filmes e peças de teatro que prometiam um mundo de sedução, mas eu só tinha olhos para a montra da papelaria. Ficava mesmo à esquina. Era uma papelaria pequena, um pouco escura, com um grande balcão de madeira. Habitualmente compravamos ali os cadernos, os lápis, as borrachas e as folhas de cartolina. Também havia, com o sabor gostoso a prémio, as bonecas de papel, com roupas para recortar e vestir.
Não foram muitas as actividades que vim a descobrir pela vida fora que me dessem um prazer tão intenso como o que sentia quando pegava numa folha nova e começava a recortar os minúsculos adereços, os vestidos de festa, a roupa desportiva dessas criaturinhas de papel, de gestos improváveis, suspensos e idênticos em todos os momentos das suas frágeis existências.

Mas também não eram as bonecas de papel que mobilizavam as minhas atenções nesses escassos dias que faltavam para o Natal.
Ela lá estava. Pequena, perfeitíssima, com a estrutura em plástico castanho, imitação da madeira a sério, e os estofos de um branco amarelado, raiados, simulando tecido. A mesa, quatro cadeiras, um aparador, um relógio de caixa alta e um side-board.
A mobília de casa de jantar. A mobília mais parecida com uma mobília a sério que eu jamais vira.
Eu tinha outras mobílias, mas eram vulgaríssimas, de plástico ostensivamente cor de rosa e azul bebé, sem qualquer preocupação de copiar a realidade. Aquela mobília era outra coisa. Era A mobília. Perfeita. Era quase intolerável a ideia de não a ter.
Puxando pela mão do meu avô, saía da escola e corria até à esquina, sem suportar a espera, para ver se ainda lá estava, para ver se alguém mais afortunado do que eu não a teria já levado. Mais tranquila, então, ali ficava, todos os dias, a olhar para a montra, a olhar para a minha mobília, a sonhar tê-la nas mãos, possuí-la.
- Talvez o Menino Jesus te traga a mobília.
Assim o meu avô ia alimentando as minhas esperanças. E se ele o dizia, é porque era possível. Talvez o Menino Jesus viesse ali , à papelaria ao lado da minha escola, quase na esquina com o Saldanha, em frente dos cartazes do Monumental, na véspera de Natal, buscar a minha mobília. Nem por um momento me interrogava se não poderia acontecer que o Menino não soubesse onde ficava a papelaria, ou até mesmo o Saldanha, ou o Monumental. Não, isso era simplesmente impossível. Lisboa era nesse tempo mais pequena e ninguém ouvira falar em centros comerciais. Em Pais Natais também nem por isso. Portanto o Menino Jesus devia conhecer a papelaria. Para mais, era ali que estava a mobília que eu desejava com mais força do que jamais desejei alguma coisa na vida. O Menino Jesus tinha de saber.
Um dia, ao sair da escola, corri até à montra e parei subitamente. Apertei com mais força a mão do meu avô. Os olhos encheram-se-me de lágrimas da mais profunda desilusão. A mobília não estava lá. Eu sabia que podia acontecer. Era a vida. No caminho para casa, nem eu nem o meu avô dissémos palavra. Ele porque respeitava a minha tristeza, eu porque não tinha já nada para dizer. Eu, que até tinha comido a sopa de feijão!
Na manhã de Natal, levantei-me cedo e corri para a chaminé. Apesar de tudo, era Natal. Mas desta vez um Natal sem esperança, sem (muito) alvoroço.

Em primeiro plano, bem em evidência, sentada na chaminé, estava uma boneca. Eu sabia que era das que diziam "papá" e "mamã" e que vinham de Espanha. Era linda.
Estendi a mão para lhe pegar e, de repente, os meus olhos encontraram-se, por entre livros de pintar, caixas de lápis, roupas de bonecas e carrinhos, com uma caixa não muito grande, discreta, que se escondia ao fundo, timidamente. A caixa da minha mobília.
Corri pelo corredor fora, deixando tudo para trás e gritei, acordando toda a casa:
- Avô! Avô! Ele trouxe a mobília! Ele trouxe, Avô! Está na chaminé!
Nunca mais na vida tive um presente que me desse uma tão grande felicidade. E não tenho motivos de queixa. Mas uma felicidade assim, tão intensa, tão genuína, tão sem mancha, tão absoluta... Nunca. Nem eu, nem ninguém! Sou capaz de apostar.
Há uma sopa de peixe que não me sai da cabeça. E sopa de peixe não é bem sopa. Mas não gosto nada de comer sozinha. Nem douradas, nem robalos, nem caldeirada, quanto mais uma sopa de peixe que nem é bem sopa. Diz que é uma espécie de sopa.

"Sopinha Afetiva" de Neka Menna Barreto
Ingredientes:(Para duas pessoas)
- 4 alhos-porós limpos e fatiados (fininhos)
- 2 cebolas cortadas em anéis
- 2 cenouras raladas
- 2 mandioquinhas raladas
- 1 fatia de abóbora cabocha ralada
- 1 xícara de coentro (opcional)
- 1 xícara de cebola verde picadinha (opcional)
- 1 colher de sopa de óleo de milho
- 1 xícara de chá de grão de cevada cozido
- Sal a gosto.
Modo de preparar:
Cozinhe a cevada 30 minutos antes, em 1 litro de água, em fogo brando; numa panela, refogue a cebola em óleo de milho, em fogo brando, até quase dourar; acrescente à cebola os legumes e a cevada já cozida e refogue tudo por cinco minutos; coloque dois litros de água natural e deixe cozinhar por 20 minutos em fogo brando.
Regue com um fio de azeite extra-virgem e sirva.
Caso goste, coloque o coentro e a cebolinha verde sobre o prato para adicionar sabor.
desenho "roubado" ao unkemptwomen.blogspot.com
Pois neste debate parece-me que sou eu o árbitro, o lado apaziaguador entre blogistas e anti-sopistas. Pois que não detesto blogues (tenho até alguns) mas também não sou viciado (agora até por motivos informáticos os meus estiveram sem actualização). Também não detesto sopa, mas também não morro de amores, detesto apenas algumas sopas com uma menção especial para a, essa sim detestável, sopa de feijão.... 